sexta-feira, 23 de junho de 2017

Fátima, Família e Desporto

Aguardava-me mais um fim-de-semana em família em Mafra. Desta vez havia uma programação diferente, ou seja, uma deslocação a Fátima. Um grupo de amigos tinha planeado uma deslocação em BTT (Bicicleta de Todo o Terreno) desde Lisboa até Fátima pelos caminhos de Santiago e de Fátima. Os que não tinham “pedalada” para fazer este percurso aguardariam em Fátima pela sua chegada. Por coincidência celebrava-se a 39ª Peregrinação das Crianças ao Santuário de Fátima, subordinada ao tema “Senhora Mais Brilhante que o Sol”. Sentia-me feliz por poder participar em todos estes acontecimentos, em família e com amigos. Na véspera, já em Mafra, foi tudo combinado ao pormenor. O meu sobrinho acreditava que pelas 16h já se encontrariam em Fátima. Na realidade, depois de pesquisar um pouco na internet, transmiti-lhe que duvidava que chegassem tão cedo. Cerca de 150 Km por caminhos complicados, principalmente na fase final em que era necessário subir a serra, por caminhos de cabras, provavelmente iríamos jantar em Fátima, ou mesmo, eventualmente pernoitar. As crianças, muito atentas, ouviam a nossa troca de opiniões.

A certa altura, o meu sobrinho com cinco anos, já cansado, pediu-me para lhe fazer umas torradas, como só eu sabia, cortadas, acompanhadas por um copo de leite com chocolate. Fiz-lhe a vontade. Enquanto as comia deliciado, transmitiu-me, como só uma criança sabe fazer, cheio de ternura: “Tia, és tão bonita!”. Admirada, questionei-lhe: “porquê”? A sua resposta que me encantou foi simples mas encantadora. “Tudo. Gosto muito de ti”. Na realidade, nada como a inocência de uma criança para nos reconfortar a alma. As brincadeiras em conjunto, como se fôssemos duas crianças produziam os seus efeitos. 

Já em Fátima, tomei conhecimento de que o bispo da diocese, na sua homilia, tinha convidado os milhares de crianças presentes no recinto a serem testemunhas da Luz de Jesus, através de gestos extremamente simples, tais como um sorriso ou um abraço, a quem anda triste, dar uma palavra amiga, ajudar quem precisa, seja amigo ou não, fazer companhia aos que se encontram sós e doentes, ser capaz de perdoar e respeitar os outros. Recordou ainda que a “Senhora do Rosário, mais brilhante que o Sol, espalhava luz com as suas mãos”… O Sol, com os seus imensos raios de luz levam cor e calor a toda a parte, sem a luz e o calor do sol não haveria luz e a vida… Não deixem apagar a luz de Jesus do vosso coração e tornar o nosso mundo mais belo e melhor”.

Recordei o Milagre do Sol ocorrido em 13 de Outubro de 1917. Nessa altura a Senhora do Rosário, solicitou aos pastorinhos que fosse construída em sua honra uma capelinha e que se rezasse o terço todos os dias… Depois abriu as mãos e, enquanto ia desaparecendo, os seus raios de luz refletiram-se no Sol e muitas coisas maravilhosas começaram a acontecer. Os Pastorinhos viram o Menino Jesus, São José, depois Jesus já crescido e Nossa Senhora sob invocações diversas… De um momento para o outro, as nuvens abriram-se como uma cortina, a lama e as roupas encharcadas pela chuva secaram, e o Sol começou a girar lançando raios de várias cores em todas as direções… Subitamente, todos os presentes começaram a gritar, pensando que iam morrer, muitos começaram a rezar, pois o Sol parecia que ia cair do Céu e esmagar a Terra. Quando terminaram os fenómenos extraordinários, todos queriam ver os Pastorinhos, fazer-lhes pedidos, tocar-lhes. Consta que até alguém cortou as tranças de Lúcia. Sobretudo, importa dar ênfase que naquele dia milhares de pessoas viram o Milagre do Sol. 

Decorridos 100 anos, encontrava-me na Capelinha, como Nossa Senhora assim o pedira, a rezar o terço, na companhia dos meus sobrinhos. Uma delas, confidenciou-me que tinha feito um pedido especial a Nossa Senhora, prometendo que se iria portar bem durante uma semana. Que doçura! 

Francisco e Jacinta já são santos de altar, canonizados recentemente aquando da deslocação do Santo Padre a Fátima no passado dia 13 de maio. Se Deus quiser, Lúcia será também um dia canonizada: o seu processo para se alcançar esse propósito já foi entregue em Roma. Mas, sobretudo, importa agora realçar que, através dos Pastorinhos, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, tocou o coração e a vida de milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo.

Finalmente, pelas 21h, chegaram, felizes mas muito cansados, os ciclistas em BTT. Foi uma alegria enorme. Tinha chegado o momento de agradecerem e deixarem os seus pedidos e intenções no regaço de Nossa Senhora (“Temos Mãe”, como exclamou o Papa no passado dia 13 de maio em Fátima).

Termino, enfatizando a necessidade de sermos uma luz no mundo, fazendo render os nossos talentos, afogando o mal com abundância de bem. “Não amemos com palavras, mas com obras”. É este, aliás, o lema do Santo Padre para o I Dia Mundial dos Pobres (19 de Novembro de 2017), instituído na sequência do Jubileu da Misericórdia.

Maria Helena Paes









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