quarta-feira, 28 de junho de 2017

Acredita em Deus?


Esta pergunta simples e inofensiva é feita com muita frequência, mas ao contrário do que se possa pensar, a resposta é sempre muito vaga e complexa, porque na verdade não sabemos qual a ideia que cada pessoa tem na sua mente do que julga ser Deus e no qual acredita ou não.

Podemos comparar esta questão com uma outra: Se perguntarmos se consideram boa a Democracia é provável que a maioria nos responda que sim. Porém, o conceito de Democracia não é o mesmo para um chinês, um alemão ou um americano. Aliás, este foi um grande erro cometido em alguns acordos políticos: juravam com as mesmas palavras, aprovavam os mesmos termos, mas eles tinham outro significado, entre as grandes potências de continentes diferentes.

Voltando a Deus, ao Deus dos católicos, parece razoavelmente claro considerar que Ele é o Princípio de todas as coisas, a Causa Primeira de tudo o que existe e é em Si mesmo Incausado, isto é, não depende de nada nem de ninguém para existir.

Deus existe por Si mesmo, tem a plenitude do Ser, tudo o que existe d´Ele deriva e não pode existir fora d´Ele. Deus não tem sabedoria, é a própria Sabedoria; não tem poder, é o Poder-Supremo; Deus não tem misericórdia, é a Misericórdia. Mas também é Infinito, todos os momentos do tempo - passado, presente e futuro – estão a igual distância d´Ele, num único e infinito instante a que chamamos eternidade, porque Deus é Eterno.

Antes de Deus criar o Universo material, não existia o tempo, este é simplesmente uma forma de medir as mutações da matéria. A eternidade é um perpétuo agora. 

Todos os conceitos e juízos que temos na nossa mente e todas as palavras do nosso vocabulário foram criadas para lidar com as coisas deste mundo. Quando recorremos a elas para compreender Deus e a natureza divina torna-se muito difícil explicarmo-nos e fazermo-nos compreender, pois todas as ideias e expressões se apresentam incapazes de abranger tamanha dimensão.

Tudo isto apenas para recordar, que para além dos inúmeros esforços para aceitarmos a existência de Deus ou para anegar, ficaremos sempre aquém da magnitude da Sua essência e só saberemos a Verdade quando o virmos, face a face, tal como Ele é.

Se o nosso intelecto fosse capaz de compreender e conter toda a realidade divina, Deus não poderia ser Infinito. A nossa mente é tão incapaz de abarcar tamanha grandeza na sua plenitude como uma garrafa de Coca – Cola de conter um Oceano.

Não pode ser com leveza que se aborda esta questão tão abrangente e importante, antes há que recorrer a quem de direito possui conhecimentos, referências e está habilitado a ensinar sobre tão elevado conteúdo e depois abrir também a mente à Fé, irmã gémea da Razão e, com cuidado deixar o Espirito Santo actuar em nós.

A nossa Fé é sempre um acto de abertura à riqueza e à compreensão dos mistérios divinos. Pode ser simples, pura e esclarecida, mas ao mesmo tempo ser débil, fraca, vaga e efémera. Acreditar não é um assentimento qualquer a referências, valores, preconceitos ou a algo vago e disperso, mas é sempre o resultado de uma adesão pessoal ao Deus vivo e disponibilizar-se para partir em demanda da nossa origem e do nosso fim; é fugir do absurdo e do sem-sentido em que a humanidade mergulha quando não tem no horizonte a grandeza divina. 

Num mundo onde a precaridade da vida é uma constante inegável e palpável, vale a pena dedicar algum tempo da vida, muito ou pouco, não importa, mas o necessário, a procurar e a ir ao encontro destas verdades de Fé que são um tesouro para a nossa salvação eterna.

Não obstante para muitos pensadores, políticos e cidadãos descrentes, Deus ser um tema ausente, marginal, ou mesmo um inimigo a eliminar, uma realidade marcante e constatável é que a religiosidade, a Fé e sua consequente prática emerge em todos os lugares e ocasiões, mais ou menos remotos do nosso país, e em todo o mundo. 

A Fé dos Homens impõe-se tão espontaneamente fervorosa que não deixa espaço para qualquer dúvida na Sua existência. Porém temos sempre a possibilidade de exercer a nossa liberdade de opção, crer ou não querer crer é um direito que nos assiste, o qual num estado democrático e laico é uma garantia de respeito por todos, do qual não podemos nem devemos abdicar.

Maria Susana Mexia






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