sexta-feira, 12 de maio de 2017

Papa em Santa Marta: A Igreja sempre está em caminho

Pedir perdão a Deus não é algo automático


(ZENIT – Cidade do Vaticano, 11 Maio 2017).- O Papa Francisco na homilia da missa celebrada nesta quinta-feira na capela da Casa Santa Marta, partindo da Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, indicou que “A salvação de Deus está em caminho rumo à plenitude dos tempos, “um caminho com santos e pecadores”.

De fato, Jesus “deixou o Espírito”. E justamente o Espírito Santo “nos faz recordar, nos faz entender a mensagem de Jesus: começa um segundo caminho”. A Igreja vai avante assim, disse ainda Francisco, com muitos santos e pecadores; entre graça e pecado”.

Um caminho necessário “para entender, para aprofundar a pessoa de Jesus, para aprofundar a fé” e também para “entender a moral, os Mandamentos”. E o que no “passado parecia normal, que não era pecado, hoje é considerado pecado mortal”, como a escravidão. “Quando íamos à escola, nos diziam o que os escravos faziam, eram trazidos de um lugar, vendidos em outro, na América Latina se vendiam, se compravam … É pecado mortal.

Hoje dizemos isso. Mas então se dizia: ‘Não’. Ou melhor, alguns diziam que era permitido, porque essas pessoas não tinham alma! Mas era preciso ir adiante para entender melhor a fé, para entender melhor a moral. ‘Ah, Padre, graças a Deus que hoje não existem mais escravos!’. E existem ainda mais!… mas pelo menos sabemos que é pecado mortal. Fomos para frente: o mesmo com a pena de morte que era normal, uma vez. E hoje dizemos que a pena de morte é inadmissível”. O mesmo vale para as “guerras de religião”.

Em meio a este “esclarecimento da fé”, “esclarecimento da moral”, “existem os santos, os santos que todos conhecemos e os santos escondidos”. A Igreja “está cheia de santos escondidos” e “esta santidade é que nos leva para frente, rumo à segunda plenitude dos tempos, quando o Senhor virá, no final, para ser tudo em todos”. Foi assim que o “Senhor Deus quis se mostrar para o seu povo: em caminho”.

Mas há outra plenitude dos tempos, a terceira, a nossa. Cada um de nós chegará ao momento do tempo pleno e a vida acabará e deverá encontrar o Senhor. E este é o nosso momento.

“Jesus – prosseguiu Francisco – enviou o Espírito Santo para que pudéssemos ir em caminho” e é justamente “o Espírito que nos impulsiona a caminhar: esta é a grande obra de misericórdia de Deus” e “cada um de nós está em caminho rumo à plenitude dos tempos pessoal”. O Papa então destacou que é preciso se questionar se acreditamos que “a promessa de Deus era em caminho” e que ainda hoje a Igreja “está em caminho”.

Quando nos confessamos, também devemos nos perguntar se, além da vergonha pelos nossos pecados, compreendemos que “aquele passo que eu dei é um passo no caminho rumo à plenitude dos tempos”. “Pedir perdão a Deus – advertiu – não é algo automático”.

“É entender que estou a caminho, num povo em caminho e que um dia – talvez hoje, amanhã ou daqui 30 anos – me encontrarei cara a cara com aquele Senhor que jamais nos deixa sós, mas nos acompanha neste caminho. Pensem nisso: quando me confesso, penso nessas coisas? Que estou em caminho? Que é um passo rumo ao encontro com o Senhor, rumo à minha plenitude dos tempos? E esta é a grande obra de misericórdia de Deus”.

(Fonte: Radio Vaticano)

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