quarta-feira, 31 de maio de 2017

O Nosso Reconhecimento ao Anjo da Guarda de Portugal

Aproxima-se o dia 10 de Junho em que se comemora o Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, sendo igualmente dedicado ao Anjo da Guarda de Portugal. Data de 1504 a instituição da festa do “Anjo Custódio de Portugal”, sendo no entanto bem mais antiga esta devoção, que quase viria a desaparecer depois do século XVII. No entanto seria restaurada em 1952, quando o Papa Pio XII manda inserir no Calendário Litúrgico Português, no sentido de comemorar o Dia de Portugal no dia 10 de Junho o Santo Anjo da Guarda de Portugal, Anjo da Paz, da Pátria e da Eucaristia. A proteção divina sobre a pátria portuguesa está patente desde os primórdios da nossa nacionalidade: a lenda do milagre da batalha de Ourique contra os muçulmanos, em que o rei D. Afonso Henriques teve a visão de Jesus crucificado, rodeado de anjos, garantindo-lhe a sua vitória no combate e a futura proteção do reino. Esta vitória viria a tornar D. Afonso Henriques, no primeiro Rei de Portugal. Por este motivo, o monarca mandou incluir na bandeira de Portugal cinco quinas ou escudos, com a representação das cinco chagas de Cristo.

A festa do Anjo da Guarda de Portugal realizava-se no terceiro domingo de Julho desde 1504, ano em que o rei D. Manuel I, escreveu às Câmaras de Évora e de Coimbra, a informar do pedido feito ao Papa Leão X, “com os Prelados dos nossos reinos, da instituição da festa do Anjo Custódio do Reino de Portugal”. No Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, encontra-se uma escultura em calcário de Diogo Pires, datada de 1518-1520, que representa bem a Imagem do Ano Custódio de Portugal.

Em virtude de nos encontrarmos a celebrar o Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos na Cova da Iria, constitui uma altura propícia para referir as três aparições deste Anjo da Guarda aos recém-proclamados santos – Francisco e Jacinta Marto - em Fátima pelo Papa Francisco. A estes pastorinhos São Francisco e Santa Jacinta Marto, bem como à sua prima Lúcia, na primavera de 1916 enquanto se encontravam a pastorear na Loca do Cabeço, apareceu-lhes um anjo, “mais branco que a neve” que lhes disse: Não tenhais medo, sou o Anjo da Paz, orai comigo, ensinando-lhes a lindíssima oração que hoje em dia proferimos recorrentemente: “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”. A segunda aparição teria lugar no poço do Arneiro, no quintal da casa de Lúcia, enquanto brincavam, dizendo o Santo Anjo: “Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações santíssimos de Jesus e de Maria, têm sobre vós desígnios de Misericórdia… eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal”. A terceira aparição teve lugar novamente na Loca do Cabeço. O Anjo surgiu com um cálice e uma hóstia, de que pingavam gotas de sangue no cálice, tendo-lhes então ensinado a seguinte oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente. E ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido e pelos méritos do Seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pecadores”.

Na realidade é incontestável a importância dos Anjos da Guarda cuja devoção foi cultivada desde os começos do cristianismo. A sua festa, com caráter universal para toda a Igreja, foi instituída pelo Papa Clemente X no século XVI. São mensageiros de Deus, São as criaturas mais perfeitas da Criação, contemplam Deus face a face, enquanto criaturas já glorificadas, que vivem inteiramente dedicadas ao serviço e ao louvor de Deus. O próprio significado da palavra anjo – enviado - exprime a sua função de mensageiro de Deus junto dos homens, particularmente em momentos decisivos da História da Salvação. A fé cristã crê também que cada nação, em particular, tem um Anjo da Guarda a velar por ela. Posto isto, sendo que se aproxima a data celebrativa em memória do Santo Anjo da Guarda de Portugal, dia 10 de Junho, não poderia deixar de enfatizar e de dar graças, enquanto portuguesa, ao nosso Anjo da Guarda de Portugal, tudo o que de bom, ao longo de centenas de anos, nos tem proporcionado, enquanto mensageiro de Jesus Cristo e de Sua Mãe Maria Santíssima.

Termino citando São Lucas (2, 8-13): “O Anjo do Senhor aproximou-se deles (pastores) e a glória do Senhor cercou-os de luz, e eles tiveram muito medo. Disse-lhes o Anjo: “Não temais, pois venho trazer-vos uma boa nova, que será grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje… um Salvador… De súbito, juntou-se ao Anjo a multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama”.

Maria Helena Paes



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