domingo, 30 de abril de 2017

O Egipto é um dom do Nilo, mas a Paz é um dom de Deus

A 18ª viagem internacional do pontificado de Francisco, decorreu nos dias 28 e 29 de abril, a convite do presidente egípcio e das autoridades cristãs e muçulmanas. 

O Papa Francisco disse, no Cairo, perante milhares de pessoas, na sua maioria fiéis pertencentes aos grupos minoritários cristãos, que Deus “rejeita o extremismo” e que o único tipo de extremismo permitido é o da “caridade”. “A Deus só agrada a fé professada com a vida, porque o único extremismo que é permitido aos crentes é o de praticarem a caridade”. 

O Papa apelou também aos líderes muçulmanos ali presentes a pronunciarem um “forte e claro não” a toda a violência em nome de Deus, alertando para “a instrumentalização” da religião por parte do poder.

Desafiando os responsáveis políticos e religiosos a “desmantelar os planos homicidas e as ideologias extremistas”, alertou para a “incompatibilidade entre a verdadeira fé e a violência, entre Deus e os atos de morte” e denunciou a “violência cega e desumana”, causada por vários fatores, como o comércio de armas, os graves problemas sociais e o “extremismo religioso que utiliza o Santo Nome de Deus para realizar massacres inauditos e injustiças”.

“Perante um delicado e complexo cenário mundial, fazendo pensar naquela que designei uma ‘guerra mundial aos bocados’, é preciso afirmar que não se pode construir a civilização sem repudiar toda a ideologia do mal, da violência e de qualquer interpretação extremista que pretende aniquilar o outro”.

Setenta anos após o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Santa Sé e a República Árabe do Egipto, um dos primeiros países árabes a fazê-lo, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi considerou este encontro como um “visita histórica” referindo os “valores comuns” entre cristãos e muçulmanos, distanciando o Islão de todos os actos terroristas praticados. Por sua vez o Papa Francisco sublinhou o “papel insubstituível” do Egito no contexto do Médio Oriente e da construção da paz na região.

O Egipto integra na sua história muitos episódios da Bíblia, desde o exílio dos judeus, no tempo de José e seus irmãos, até à sua libertação por Moisés. Foi também o local que acolheu a Sagrada Família aquando da perseguição de Herodes após o nascimento de Jesus Cristo e onde viveram até regressarem à Terra Santa e se estabelecerem em Nazaré. Segundo a tradição, o Egipto conheceu o Cristianismo graças à pregação de São Marcos, evangelista, que terá sido bispo de Alexandria, o segundo maior patriarcado da cristandade primitiva, logo após Roma.

Neste País milenar e num clima de segurança mas tranquilo, sereno e transbordando alegria e júbilo, o pontífice saudou o público a partir de um carrinho de golfe, onde seguia também o Patriarca copta católico Ibrahim Isaac Sedrak, percorrendo a zona envolvente do estádio do Cairo, no qual se encontravam mais de 25 mil pessoas de todas as religiões, para participarem na Missa.

Tawadros II, Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa, comunidade cristã mais antiga e numerosa do Egito, que representa, cerca de dez por cento dos 92 milhões de egípcios. A designação de ‘copta’ significa ‘egípcio’, porque eles foram os mais antigos habitantes do país, anteriores à chegada dos muçulmanos, no século VII depois de Cristo.

Concluída em calorosa sintonia, esta primeira deslocação de Francisco ao estrangeiro, em 2017, seguir-se-lhe-á a visita a Fátima, para as celebrações do Centenário das Aparições, a 12 e 13 de Maio, com as canonizações de Jacinta e Francisco Marto, mas sempre como Peregrino da Paz, cariz fundamental do seu pontificado.

Maria Susana Mexia



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