sábado, 13 de maio de 2017

Fátima em Roma

Na recente viagem a Roma para assistir à ordenação sacerdotal de diáconos de várias partes do globo, tivemos ocasião de encontrar e fazer amigos. Nestas ocasiões, é costume os familiares e amigos dos ordinandos terem gosto em estar presentes num acontecimento tão especial que terá peso nas suas vidas e na de muitas outras pessoas que irão usufruir dos efeitos das Missas, confissões, direções espirituais, pregações... todos os serviços, enfim, que os sacerdotes costumam prestar ao serviço do povo de Deus. 

Foi neste ambiente multitudinário de convívio internacional que muitas pessoas nos referiam o centenário das aparições de Fátima logo que sabiam que éramos portugueses. Recordo aqui dois episódios.

O primeiro aconteceu durante o lanche de convívio imediatamente após as ordenações. Um jovem sacerdote francês contou-nos que numa cidade próxima de Bayone, foi construída uma nova igreja recém inaugurada. O pároco encarregado de cuidar do novo “rebanho”, escolheu a invocação de Nossa Senhora de Fátima para esta igreja e determinou que, no dia 13 de Maio, se faria uma procissão em sua honra. Desde a inauguração da paróquia, nunca se esquece de, nas suas homilias, convidar os seus paroquianos a participar nessa procissão.

O segundo episódio passou-se durante a viagem de regresso a Portugal. No avião, um senhor, que vinha no nosso grupo, ficou sentado ao lado de um casal de hondurenhos. O marido chamou logo a atenção dos passageiros, pois vinha a cantarolar em brasileiro (Vou viajar/ para ver o meu amor...) e fez toda a viagem com um boné na cabeça. Travou imediatamente conversa com o nosso amigo, também ele bastante extrovertido. O casal tinha ido a Roma para participar num congresso dos Cursilhos de Cristandade e dirigia-se a Portugal expressamente para ir a Fátima no ano do centenário das aparições com a finalidade de agradecer algo muito especial. As recordações fizeram-no chorar.

A sua filha mais nova tinha sido sequestrada, durante cinco dias, quando tinha onze anos. Certa tarde, pouco antes do jantar, enquanto estavam a rezar o terço, bateram à porta. Eram polícias que lhe vinham trazer a sua filha. Disse que a polícia tinha sido impecável: compreensiva, humana e, sobretudo, eficiente, mas sentia que o governo das Honduras não dava proteção suficiente aos seus cidadãos. Por isso, preferia exprimir-se em inglês do que em espanhol. A família considerava que a recuperação da filha se devia a uma graça de Nossa Senhora. A rapariga tem já dezoito anos, é muito boa aluna e quer ser médica como as irmãs que se dedicam à defesa da vida e a ensinar os métodos naturais de controle da natalidade, quer nas suas consultas, quer ouvindo e aconselhando adolescentes ou jovens casais.

Pouco depois, vi-os a mostrar fotografias das respectivas famílias nos seus “i-pads”. Os hondurenhos têm um neto e o português já tem vários, de alguns dos seus seis filhos, um dos quais é sacerdote. Confidenciou que um desses netos, com apenas alguns meses de vida, tinha sido operado nesse mesmo dia ao coração. Também eles esperavam uma especial graça da Virgem Maria.

Isabel Vasco Costa


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