quarta-feira, 5 de abril de 2017

Tuttifrutti religioso, filosófico e pseudocientífico

“Os deuses alimentam-se em segredo da ideia de Deus para impedir que o verdadeiro Deus apareça”. Henri de Lubac

“Na segunda metade do século passado desenvolveu-se uma aliança especial entre esoterismo, ocultismo, ideias de algumas escolas psicológicas e de potencial humano ou de desenvolvimento e evolução pessoal, que levou à formação da New Age ou Nova Era tal como agora é compreendida, isto é, um fenómeno cultural de tendências, com conotações gnósticas, espiritualistas e mistificantes, bem simbolizado numa corrente sem fins aparentes que tende a englobar, no seu fluir, elementos diversos e heterogéneos”. *

Em muitas sociedades ocidentais, e de maneira crescente também em outras partes do mundo, os cristãos com frequência entram em contato com diversos aspectos do fenómeno conhecido como New Age ou Nova Era. Muitos deles sentem a necessidade de conhecer da melhor maneira possível algo que tem tanto de sedutor como de enigmático, ao mesmo tempo, complexo, esquivo e em certas ocasiões perturbador.

“A Nova Era não é um movimento no sentido em que normalmente se emprega o termo Novo Movimento Religioso, nem é aquilo que normalmente se dá a entender com os termos culto ou seita. É muito mais difuso e informal, já que atravessa as diversas culturas, em fenómenos tão variados como a música, o cinema, seminários, oficinas, retiros, terapias, e em outros muitos acontecimentos e atividades, embora alguns grupos religiosos ou para-religiosos tenham incorporado conscientemente alguns elementos da Nova Era, e inclusive alguns tenham sugerido que esta corrente foi fonte de inspiração para várias seitas religiosas e para-religiosas. No entanto, a Nova Era não é um movimento individual uniforme, mas antes uma rede ampla de seguidores cuja característica consiste em pensar globalmente e actuar localmente.

Os primeiros símbolos deste movimento que se introduziram na cultura ocidental foram o conhecido festival de Woodstock, no Estado de Nova York, em 1969, e o musical Hair, que expôs os principais temas da Nova Era em sua canção emblemática Aquarius”. **

“As ideias do movimento “New Age” (Nova Era) conseguem, às vezes, insinuar-se na pregação, na catequese, nas obras e nos retiros, e deste modo influenciam até mesmo católicos praticantes que, talvez, não tenham consciência da incompatibilidade entre aquelas ideias e a fé da Igreja. Na sua visão sincretista e imanente, esses movimentos para-religiosos dão pouca importância à Revelação; pelo contrário, procuram chegar a Deus mediante a inteligência e a experiência, baseadas em elementos provenientes da espiritualidade oriental ou de técnicas psicológicas. Tendem a relativizar a doutrina religiosa, em benefício de uma vaga visão mundial, expressa como sistema de mitos e de símbolos, mediante uma linguagem religiosa. Além disso, apresentam com frequência um conceito panteísta de Deus, o que é incompatível com a Sagrada Escritura e com a Tradição cristã. Eles substituem a responsabilidade pessoal das próprias acções perante Deus por um sentido de dever em relação ao cosmo, opondo-se, assim, ao verdadeiro conceito de pecado e à necessidade de redenção por meio de Cristo.”***

Este tuttifrutti religioso em jeito dum laicismo disfarçado mas, demolidor da experiência religiosa e portador duma certa virulência anticatólica, teve grande impacto nos meios de comunicação pelo que foi globalizado e rapidamente assimilado como um verdadeiro renascimento da religião por uma europa que se esqueceu ou ignora a sua herança religiosa e a sua alma cristã. Ventos de doutrinas, corrente ideológica, modas de pensamento, ismos fatais e mortais, libertinagens, ateísmos e outros afins não cessaram de nos fustigar nestas últimas décadas.

Casas construídas em fracos alicerces e um estado cada vez mais vulgar de menoridade na fé, não resistem ao bater das ondas e aos sopros dos ventos contrários a Deus e à salvação dos homens.

Sem fé e sem alimento religioso o homem é uma cana ao vento e os tempos modernos foram pródigos em tempestades e ventanias…

É o cenário da actualidade, é a ditadura do relativismo, será o preço que pagamos pelo nosso desinteresse, apatia, indiferença e comodismo?

*RELIGIOSIDADE ALTERNATIVA, SEITAS, ESPIRITUALISMO
**Jesus Cristo Portador da Água Viva: Uma reflexão cristã sobre a "Nova Era"
*** Papa João Paulo II aos Bispos norte-americanos em 28/05/93
Maria Susana Mexia



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