segunda-feira, 10 de abril de 2017

Os Papas, Peregrinos de Fátima…

Neste tempo, em que vimos celebrando o Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima“, em 1917, assim como os factos maravilhosos que em 1916 as precederam (Aparições do Anjo de Portugal!) sentimo-nos embaraçados com a variedade e importância de temas que seria útil recordar!... Assim, fizemos a opção expressa em título por nos parecer assunto primordial recordando o que para os Pastorinhos e de modo especial para a pequena, Jacinta Marto, representava o Santo Padre, fosse ele quem fosse…

O Papa Francisco vem a Fátima “Com Maria na esperança e na paz”, como diz o slogan da visita que esperamos nos próximos dias 12 e 13 de Maio!

Entretanto, é tempo de vigília, de preparação.

Numa época de absurdas turbulências, com `ventos contrários e nuvens de poluição`, é aconselhável fazer silêncio e, com espírito confiante, avançar…

A Igreja Católica, “a Barca de Pedro, não se afunda!” Ao leme vai e irá sempre, “um Timoneiro Invencível”, Jesus Cristo, que nos diz: “Não temais! Eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos”!

O Papa é o sucessor de S. Pedro, o Vigário de Jesus Cristo na Terra! Preparemo-nos bem para o receber, para acolhermos a sua mensagem e a fazermos frutificar em nós e à nossa volta…

No Centenário das Aparições de Nossa Senhora, faz-nos bem recordar a Pastorinha Jacinta, lembrando uma caraterística pouco comum em crianças da sua idade e, muitas vezes, ausente da sociedade atual. Falamos da sua tendência para interiorizar as experiências que vivia, para meditar no significado dos acontecimentos, para encontrar razões para o seu agir.

Nesta pequena criança torna – se evidente uma grande riqueza interior; alma grande, coração universal, penitente e extraordinariamente sensível… Amava os pecadores, os doentes, os pobres, os que lhe pediam orações. Rezava e sacrificava-se por eles.

Mas a partir da visão em que lhe foi dado contemplar que o Papa sofria muito, que necessitava de orações, ficou muito impressionada. O amor ao Papa, levava-a a rezar muito e a sacrificar-se por ele, mesmo sem saber bem quem era e que nome tinha. Dizia com frequência, refere a sua prima Lúcia, “coitadinho do Santo Padre”, e relatava novamente o que vira na célebre visão: o Papa em sofrimento, em oração, insultado, perseguido, caluniado… Todo esse sofrimento a fazia vibrar de amor, de oração, de dor e reparação…

A relação dos Papas com Fátima foi ganhando uma visibilidade maior desde as viagens pontifícias realizadas por Paulo VI e, sobretudo, João Paulo II. Mais cedo, contudo, se começara a manifestar o interesse do Bispo de Roma por Fátima e pela sua mensagem.

A 31 de Outubro de 1942, Pio XII – ordenado bispo precisamente no dia 13 de Maio de 1917, dia da primeira aparição –, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, em plena II Guerra Mundial. Na sua radiomensagem, falou em português a todos os que subiram “à montanha santa de Fátima” para depositar aos pés da Virgem Padroeira “o tributo filial do seu amor aprisionado”…

O Papa João XXIII visitou Fátima no dia 13 de Maio de 1956, quando era ainda Patriarca de Veneza.

Paulo VI foi o primeiro Papa a vir pessoalmente a Fátima, como peregrino de Nossa Senhora, a 13 de Maio de 1967. Na homilia proferida durante a celebração eucarística, Paulo VI começou por dizer: “Tão grande é o nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a nossa confiança na sua benevolência para com a Santa Igreja e para a nossa missão apostólica, tão grande é a nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confiante, a este Santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Nossa Senhora e onde se comemora o vigésimo quinto aniversário da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria”.

S.João Paulo II, vai ficar na história como o “Papa de Fátima”, Santuário que visitou em três ocasiões.

Simbolicamente, a bala que no atentado de que foi alvo, lhe atravessou o abdómen, no dia 13 de Maio de 1981, repousa hoje na coroa da imagem da Virgem na Cova da Iria.

Em Maio de 1982, primeiro aniversário do atentado contra a sua vida, Karol Wojtyla chegava a Fátima para “agradecer à Divina Providência, neste lugar que a Mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular”…

Voltou na sua visita pastoral, a Fátima, em Maio de 1991 e em Maio de 2000, regressou para oficializar a beatificação dos Pastorinhos, Jacinta e Francisco. Nesse contexto, foi feita a revelação da ligação do atentado de 1981 à terceira parte do segredo de Fátima.

Bento XVI, veio ao nosso País e a Fátima em Visita Pastoral, no ano 2010. Mas em 2007, quando se celebravam 90 anos das Aparições, fez-se representar pelo seu Legado Pontifício, o Cardeal Ângelo Sodano. Na carta que enviou, dizia Bento XVI: “Nós, que já visitámos esse Santuário e, como Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, estudámos a Mensagem confiada pela Bem-aventurada Virgem Maria aos pastorinhos, desejamos que seja proposto novamente, aos fiéis o valor da oração do Santo Rosário, bem como esta Mensagem, para que se consigam os favores e graças que a própria Mãe do Redentor prometeu aos devotos do seu Imaculado Coração”, apontava.

Agora é o Papa Francisco que vem como Pai Comum dos cristãos e Pastor Universal na sua evidente humildade e grandeza, como Peregrino entre os peregrinos!

Sede Bem-Vindo, Santo Padre!
 
Maria Helena Marques 
Prof.ª Ensino Secundário



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