quinta-feira, 9 de março de 2017

«Terras sem Sombra»: Cristãos podem «continuar comodamente no sofá» ou agir pela defesa ambiental

Foto: Festival Terras Sem Sombra
Diretor-geral do festival da Diocese de Beja mobiliza à salvaguarda do património natural

Odemira, 08 mar 2017 (Ecclesia) – O Festival ‘Terras sem Sombra’ desafiou os cristãos e a população de Odemira para uma ação de divulgação e proteção da biodiversidade no rio Mira destacando áreas como o sapal, as pradarias marítimas e a população de lontras.

“Perante a salvaguarda da biodiversidade os cristãos podem tomar duas atitudes: Continuar comodamente no sofá ou pelo contrário darem exemplo, um pequeno contributo para a magna causa avançar”, afirmou o diretor-geral do Festival ‘Terras sem Sombra’ (FTSS).

O certame, do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, realizou um passeio de barco no Rio Mira entre Vila Nova de Milfontes e o Cais da Casa Branca.

‘Do espiritual na arte – Identidades e práticas musicais na Europa dos séculos XVI-XX’ é o tema da 13.ª edição da iniciativa que alia património, música e biodiversidade, até 1 de julho.

À Agência ECCLESIA, José António Falcão destacou a participação “muito grande” às ações ambientais nos municípios do Baixo-Alentejo, onde passa o festival.

O professor Carlos Cupeto, da Universidade Évora, considerou “importantíssimas” estas atividades, até porque se pode ter a bacia hidrográfica do Mira, “como é o caso, muito bem estudada”, mas “senão for conhecida, viva e vivida, de nada serve”.

Antes do embarque em Vila Nova de Milfontes, o geólogo explicou que o rio fisicamente está num estado de evolução “muito avançado, já senil”, não só na parte terminal, mas é “interessante” fazer a relação entre “as diferentes componentes física, viva e cultural”.

Já em pleno rio, o chefe de Divisão de Gestão Operacional e Fiscalização do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Algarve contextualizou à Agência ECCLESIA que o Mira tem um estuário “bastante bem conservado”, com todas as suas características típicas.

Segundo Nuno Grade, ao longo do Mira existem áreas de sapal que são “sempre importantes” pela florestação da produção primária e “refúgios”, na parte baixa, para a “reprodução e crescimento das populações de peixes”.

As pradarias marinhas, adiantou o biólogo, associadas aos estuários e zonas húmidas costeiras na Europa têm sido “impactadas ao longo dos anos” pela intervenção humana, por isso, “catalogadas como habitat fortemente ameaçado”.

As lontras não apareceram, mas Nuno Grade esclareceu que a população do Rio Mira e da Costa Vicentina tinham particularidades como a “utilização de ecossistema mais marinhos” e não no interior do rio.

A ECCLESIA estava no barco do historiador António Martins Quaresma que realçou a “autêntica coluna vertebral” que foi o rio para o território identificado com o Concelho de Odemira.

O historiador destacou a utilização do Mira para a navegação comercial, durante milénios até ao século XX, “uma autêntica estrada” dos barcos do Mar Mediterrâneo e do norte da península” com as mercadorias que a região necessitava e levando o que se produzia.

O diretor-geral do FTSS recordou ainda que o Papa Francisco na encíclica ‘Laudato Si’ aponta a necessidade de intervir na realidade de cada um.

“Isto passa muito pela disseminação do conhecimento, por ações de sensibilização e alguma pressão juntos das autoridades no sentido que o património que é de todos e a todos diz respeito possa sobreviver e ter futuro garantido”, acrescentou José António Falcão.

O ‘Terras sem Sombra’ dinamizou na sua segunda sessão de 2017 uma visita ao património religioso de Odemira e um concerto de música portuguesa de inspiração mariana dos séculos XVI-XVIII, com o ensemble ‘Polyphonos’, na igreja de São Salvador.

CB/OC

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