sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dia Mundial da Justiça Social – Uma década depois, o que temos?

Passaram 10 anos desde que a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu uma data própria - 20 de Fevereiro - para celebrar, ou melhor dizendo para refletir sobre o tema abrangente da justiça social.

Como é próprio das reuniões magnas tomaram-se decisões, traçaram-se directrizes, os representantes de cada nação comprometeram-se a envidar esforços para garantir a igualdade de oportunidades e de forma geral o acesso à justiça e ao bem-estar social.

Com o passar dos anos foram-se definindo objectivos mais claros: a erradicação da pobreza, o pleno emprego, a integração social. Uma década depois podemos perguntar: e agora o que temos? Índices de pobreza altíssimos, altos níveis de desemprego ou emprego precário com horários imparáveis. Quando se questionam os valores primários – o valor da vida e da família como célula base da sociedade - chega-se, inevitavelmente, à incapacidade de proteger a vida dos mais fracos, os doentes, os idosos, as pessoas menos capazes e de salvaguardar os direitos básicos da família: a saúde, a educação e uma habitação condigna. Na falta destas condições básicas não se pode falar numa verdadeira – e abrangente - integração social.

Neste momento de enorme incerteza sentimos que os responsáveis políticos e também a sociedade em geral se afadigam à procura de soluções sem rumo certo e não se vislumbram resultados aceitáveis.

Resta-nos a esperança de que muitos corações sinceros estejam atentos a palavras sábias como estas: “Solução definitiva: a caridade... Tome cada um a tarefa que lhe pertence; e isto sem demora, para que não suceda que, adiando o remédio, se tome incurável o mal, já de si tão grave. Façam os governantes uso da autoridade protectora das leis e das instituições; lembrem-se os ricos e os patrões dos seus deveres; tratem os trabalhadores dos seus interesses pelas vias legítimas; e, visto que só a religião é capaz de arrancar o mal pela raiz, lembrem-se todos de que a primeira coisa a fazer é a restauração dos costumes cristãos, sem os quais os meios mais eficazes sugeridos pela prudência humana serão pouco aptos para produzir salutares resultados.”*

*Excerto da Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, de 1891, que hoje podemos considerar profética.

A autora escreve segundo a antiga ortografia.

Rosa Ventura









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