sábado, 31 de dezembro de 2016

A Manjedoura

Quando nos falamos para desejar Boas Festas uma à outra, Camila espantou-me com uma ideia que não consegui esconder. Com sua licença, aqui a trago para nossa inspiração.
 
Disse-me ela que gostaria de ter, no lugar do seu coração, uma manjedoura onde o Jesus pudesse dormir e descansar. Por isso, se esforçava por levar ao seu coração “palhinhas” macias, retirando as que iam endurecendo pelo uso do hábito. Explicou-me que lhe custava muito sorrir para as pessoas que a tinham magoado. Este Natal, fora confessar-se ao jovem sacerdote que chegara à sua aldeia para ajudar o pároco já idoso. Dois factos a impressionaram agradavelmente: a sua disponibilidade e os bons conselhos que lhe dera. Disse-lhe que precisava confessar-se com mais frequência para que a graça do sacramento lhe fosse limpando a alma e o coração das más inclinações. Acrescentou que devia atrever-se a dizer, em voz alta, o nome das pessoas que a tinham magoado, perto do Sacrário, quando percebesse que estava só na igreja. Depois, deveria rezar por elas e por ela própria, de modo que o Senhor as  ajudasse a serem boas. A oração é a melhor ajuda que se pode prestar às pessoas, pois só Deus tem o poder de as fazer santas. Sempre que aumenta a santidade no mundo, aumenta também a paz nas famílias e diminui o rancor.
 
Foi pensando nisto que Camila quais as ”palhinhas” que deviam ser removidas do seu coração-manjedoura, e quais as que deveria acrescentar. Lá faltavam o silenciar uma resposta agreste, a falta de pontualidade nas tarefas do dia, o descuido no arranjo da casa; sobravam as expressões fechadas, as faltas de pormenor no arranjo pessoal tão apreciado pelo marido, as desculpas para cuidar dos netos...
 
“Eu sei a teoria toda” - desabafava – “Mas quando chega o momento... não consigo fazer o que quero”.
 
Sim, Camila, há já dois mil anos que S. Paulo deixou escrita essa mesma dificuldade que continua, e continuará, a atormentar os homens. Não estamos sós. E muitos das pessoas que sofreram deste mal estão agora nos altares. Também eles queriam que os seus corações fossem manjedouras onde o Deus Menino pudesse estar contente e descansar.

Isabel Vasco Costa



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