domingo, 27 de novembro de 2016

Portugal: «O que nos une passa sempre pela dignidade da pessoa humana» - Marcelo Rebelo de Sousa

Foto: João Fernandes/Missão Press - Marcelo Rebelo de Sousa no
I Fórum Missionário de Braga
Presidente da República no I Fórum Missionário da Arquidiocese de Braga

Braga, 26 nov 2016 (Ecclesia) – O presidente da República disse esta sexta-feira em Braga que a humanidade é “denominador comum” que a todos une e que ser missionário hoje implica cuidar “a dignidade da pessoa humana”.

Na conferência de abertura do primeiro Fórum Missionário da Arquidiocese de Braga, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o que une todos “passa sempre pela dignidade da pessoa humana, na sua projeção concreta em cada tempo e em cada espaço específico”.

“O que nos une a todos suporá inevitavelmente vida, saúde, educação, formação justiça interjecional, liberdade que afaste autoritarismos, coesão social que contradiga classismos marginalizadores. É isto ser-se missionário hoje, mais perto ou mais longe”, defendeu o presidente da República.

Para o chefe de Estado português, “a realização pessoal tem de passar pelos diversos membros da comunidade” e as comunidades mais desenvolvidas “são aquelas em que os indicadores qualitativos completam os indicadores meramente quantitativos e estes retratam realidades coesas e homogéneas sem disparidades afrontosas de condições de vida”.

Numa conferência sobre o tema ‘O Que Nos Une a Todos’, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a humanidade é o “denominador comum feito de uma identidade substancial que supera tempos, espaços e modos muitos diversos, sem os negar ou esvaziar”.

“Todos somos essencialmente iguais, temos todos a mesma dignidade”, sustentou.

“Lamentável se configura o tropismo para o regresso a racionalismos, relativismos, xenofobias, racismos, egoísmos de grupo que pretendam distinguir entre eleitos e rejeitados, puros e espúrios”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que, antes de construir políticas, é necessário “edificar laços humanos, culturais, educativos, sociais” e que um dos fracassos deste tempo é a “fragmentação do humano”, a que se “somou a primazia do económico ou do político, do utilitarista na fruição dos bens económicos ou detenção do poder político”.

“Temos o estrito dever de promover a paz, o desenvolvimento os direitos fundamentais e de combater a pobreza, a miséria a opressão, as desigualdades e as injustiças, dos mais próximos aos mais distantes, passando pelos migrantes, pelos refugiados, pelos deslocados, pelos ostracizados”, acrescentou.
A abertura do primeiro Fórum Missionário foi feita pelo arcebispo de Braga, afirmando que “a solidariedade, a amizade, o humanismo, seja ele cristão ou simplesmente filantrópico” são fatores de união.

D. Jorge Ortiga defendeu que mais do que a “necessidade de consensos”, é necessário apostar no diálogo, porque o “consenso nos dias correntes revela cedência” para se atingir um fim e tem na base um “conflito latente”, enquanto o diálogo “é a transformação da realidade” e transmite “verdade, confiança, esperança, afeto e proximidade”.

“Só o diálogo constrói algo de novo”, disse o arcebispo de Braga antes da comunicação do presidente da República, anunciando a sua presença em março de 2017 no mesmo auditório para falar de multiculturalismo.

O primeiro Fórum Missionário da Arquidiocese Braga iniciou esta sexta-feira, é promovido pelo Centro Missionário Arquidiocesano de Braga no Auditório Vita e decorre durante este sábado em torno de quatro debates sobre ‘Refugiados no século XXI’, ‘Desporto no mundo globalizado’, ‘A mulher na sociedade’ e ‘Comunicação social: convivência entre o local e o global’; D. Carlos Filipe Ximenes Belo, bispo emérito de Dili, faz a conferência de encerramento.

PR

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