quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Termina o tempo dos meros espectadores…

No despertar do século XXI, pairava no horizonte uma réstia de esperança que, no decorrer desta década e meia de anos, se tem vindo a esfumar. Realmente, parece ter começado com muito mau pé em matéria de direitos e liberdades para a pessoa.

As políticas sociais prometidas por diversos governos alguns bem perto ou entre nós, têm resultado num ataque geral contra a família (lei da liberalização do divórcio, responsável pela destruição de inumeráveis famílias; equiparação aberrante de uniões homossexuais ao matrimónio, lei de reprodução assistida, a discussão e consumação na praça pública da pérfida legislação que visa a interrupção voluntária da gravidez) que, com um mínimo de honestidade se deveria denominar, sem eufemismos, “matança de inocentes indefesos no ventre materno” – e que, por isso, reclamam proteção à sociedade que se diz civilizada –... Leis que claramente vão contra a pessoa (lei orgânica da educação que não educa mas que tem como objetivo “doutrinar”, ou o projeto de equiparar os direitos dos símios aos dos cidadãos)!

Muitos milhões de pessoas se têm sentido – temo-nos sentido – agredidas nas suas convicções mais íntimas ao ver como o disparate se convertia em lei, rasgando todo um universo de lógica aprazível construída durante mais de dois mil anos, e como a ética tradicional do bem e do mal era postergada pela do politicamente correto ou pela do mediaticamente reprovado ou aplaudido.

Todas estas mudanças têm vindo a ser forjadas através de um enorme trabalho de engenharia social, através de `geringonças` específicas criadas para o efeito, ocorrida na sequência de eleições livres ditas democráticas, com o propósito de mudar a sociedade, onde os fins justificam os meios, até ao ponto de não respeitar nem a verdade, nem a liberdade de expressão, nem o respeito que merecem as opiniões divergentes que tantas vezes têm sido objeto de crítica ou de zombaria.

Perante estas agressões contra as liberdades e direitos humanos fundamentais da pessoa, muitos têm reagido opondo, mediante manifestações multitudinárias, e /ou silenciosas, uma esperança de que algo novo está a acontecer neste e em outros países, e de que a consciência de muitos cidadãos percebeu a necessidade de envolver-se para defender a pessoa e a família, a educação, a liberdade, a verdade. Definitivamente, sente – se a urgência de amadurecer como cidadãos, que exigem, que devem exigir aos governantes respeito e uma política que suponha soluções para os problemas reais que verdadeiramente preocupam.

Diante daqueles que adotaram posições comodistas e / ou pessimistas, considerando que nada se pode fazer e que qualquer resistência é inútil, convém recordar que a potencialidade de cada pessoa – única e irrepetível – tem conseguido, na nossa recente história europeia, mudanças que pareciam impossíveis e, por conseguinte, se acreditamos na pessoa e defendemos a verdade e a liberdade, estas acabam por triunfar. A outra alternativa seria a rendição. Mas já se acabou a época de meros espectadores. Os pais, os educadores, os cidadãos em geral, podemos escolher como queremos o nosso futuro, o futuro dos filhos – nascidos e para nascer – continuando a defender com afinco os direitos de que todos somos titulares como pessoas humanas, de cada vez que se vejam lesionados ou, simplesmente, ameaçados.

Compete aos cidadãos conscientes, inseridos de pleno direito nas estruturas de uma sociedade organizada e participando, responsavelmente, em todas as atividades e iniciativas honestas dos homens, o dever de intervir, de atuar sem abstenções, prestando a própria colaboração e iniciativa para servir com lealdade e liberdade pessoal, o bem comum.



Maria Helena Marques
Prof.ª Ensino Secundário

                                                                                   















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