quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Portugal: Mais de 650 empresas e cinco autarquias já aderiram ao «Compromisso Pagamento Pontual»

Assinatura de compromisso de pagamento pontual
- imagem de arquivo (Filipa Brito/CMPorto)
Projeto da Associação Cristã de Empresários e Gestores que pretende combater «cultura» instalada de dívidas a fornecedores

Lisboa, 20 out 2016 (Ecclesia) – Mais de 650 empresas e cinco câmaras municipais já aderiram ao “Compromisso Pagamento Pontual” da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), projeto que tem por base a regularização a tempo e horas das contas com fornecedores.

Em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, o organismo promotor da iniciativa avança que a região mais recente é Sintra, com a respetiva autarquia e 49 empresas da região a juntarem-se a um programa que “pretende promover uma cultura nacional empresarial e pública de pagamento no prazo acordado aos fornecedores”.

O presidente da ACEGE, João Pedro Tavares, aponta que o atraso nos pagamentos é uma realidade muitas vezes esquecida ou menorizada, mas que tem um impacto devastador na economia”.

Para além dos “custos financeiros associados”, este problema tem como consequências mais visíveis “o número de falências que origina, o desemprego que cria e a concorrência desleal que provoca”, realça aquele responsável.

Todos estes fatores contribuem para “um real estrangulamento do desenvolvimento das empresas e, consequentemente, do crescimento da economia portuguesa”.

De acordo com a ACEGE, os dados mais recentes recolhidos neste setor indicam que “75 por cento das empresas portuguesas têm problemas de atrasos nos pagamentos a fornecedores”.

“Números que são assustadores e que podem ter consequências imprevisíveis”, acrescenta aquele organismo.

Ao longo dos anos, esta “cultura de pagamentos atrasados”, tem sido evidente também ao nível do Estado, no plano da administração central, das autarquias e juntas de freguesia.

Em “dezembro de 2012, as dívidas por pagar com mais de 90 dias, atingiam o valor de 4,6 mil milhões de euros, cerca de 3 por cento do Produto Interno Bruto português”.

Dois anos depois, “este valor baixou” mas mesmo assim cifrava-se em “1,9 mil milhões de euros, cerca de 1 por cento do PIB e o prazo de pagamento de uma fatura demorou, em média, 129 dias, englobando um atraso sobre o prazo acordado de 69 dias”.

“Esta é uma questão dramática”, frisa a ACEGE, “especialmente num contexto de dificuldades acrescidas no acesso ao crédito, para as pequenas e médias empresas e as que vivem maiores dificuldades”.

Neste sentido, este projeto “é uma oportunidade que Portugal agradece e que não pode desperdiçar”, realçam os empresários cristãos, que desafiam as empresas a juntarem-se ao “Compromisso Pagamento Pontual” e a quebrarem este ciclo vicioso, antes que seja tarde demais.

O projeto “Compromisso Pagamento Pontual” envolve a ACEGE, com mais de mil associados em 15 regiões do país, e também parcerias com a Confederação Empresarial de Portugal, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, a Caixa Geral de Depósitos e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica.

JCP


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