terça-feira, 30 de setembro de 2014

Convivência de gerações

1. Inclusão das gerações
 
No dia 28 de setembro o Papa Francisco convidou os avós a estar com ele, para celebrar o dia a eles dedicado, dizendo que também se incluía no seu número. Entre os convidados estava o Papa emérito, Bento XVI, a quem o Papa saudou com muito carinho, dizendo que sentia a sua presença no Vaticano como tendo em casa o avô sábio. Foi sobretudo emocionante o testemunho de dois idosos do Iraque, contando a brutalidade da guerra, o assassínio da família e a perda de todos os seus bens.

Foi mais um gesto do Papa Francisco, alertando para o valor e a dignidade da pessoa idosa, hoje muitas vezes tratada como algo descartável, esquecida pelos familiares mais novos nos hospitais, nas casas e nos lares, que devem ser casas e não prisões. Assim se perde a memória e as raízes da nossa história e se hipoteca o futuro da sociedade.

No dia 27 celebrámos o Dia Diocesano, com o qual queremos dar um forte impulso ao arranque do ano pastoral. Na nota de abertura do anuário, uma breve introdução ao plano pastoral, pedia a oração pela nomeação do Bispo Coadjutor, que virá a ser o meu sucessor na diocese. A esse propósito alguém me perguntou, qual seria o meu papel quando o Coadjutor se tornasse o bispo diocesano. Respondi como escrevi na nota: importa que ele cresça e eu diminua, acrescentando e depois desapareça. Ao que o meu interlocutor respondeu: não deixaremos que desapareça, pois manteve consigo o seu antecessor, D. Manuel Falcão e tratou-o muito bem.

Embora eu saiba que nem todos somos iguais e santos como era D. Manuel Falcão, uma bênção para mim e a diocese, no entanto percebi que há muitas pessoas a compreender a importância dos mais velhos na nossa Igreja e na sociedade e avaliam a nossa missão também a partir do modo como tratamos os mais idosos. Também nisto se verificou a verdade da expressão do Papa: sentia a segurança de ter em casa um avô sábio, experiente e confidente.

Todos, a começar por mim, temos de ajudar as nossas comunidades a integrar os idosos na acção apostólica, presbíteros incluídos, não os atirando para um lar ou residência sacerdotal, sem qualquer função na sociedade e na Igreja. Foi particularmente comovente o testemunho humilde do Cónego Aparício, um dos presbíteros mais significativos na história da nossa diocese, que deixou uma das paróquias mais importantes da cidade de Beja, para assumir a paroquialidade de uma pequena aldeia nas imediações de Beja, a dois meses de completar oitenta anos de vida. Isto é concretizar aquilo que o Papa Francisco chama ir até às periferias geográficas e existenciais, para aí anunciar a boa nova do Evangelho e incluir nesta missão a sabedoria dos mais idosos.

2. Construção de comunidades inclusivas
 
Na semana passada escrevi que iria continuar as minhas reflexões sobre a construção de comunidades eclesiais abertas e significativas. Na brevidade desta nota quero indicar mais um aspecto desse processo, apontando o gesto papal e as experiências recentes na minha actividade episcopal.

Fez parte da agenda do Dia Diocesano a apresentação dos resultados da prática dominical de acordo com o recenseamento feito a 16 e 17 de Novembro de 2013. A partir da constatação da baixa presença nas missas dominicais das pessoas entre os 15 e os 39 anos, perguntava-se aos representantes dos seis arciprestados como proceder para subir a percentagem da sua participação nas eucaristias dominicais, assim como a das pessoas do sexo masculino.

As respostas foram ricas e variadas. É preciso continuar a reflexão e encontrar medidas concretas de acção apostólica nas paróquias e movimentos. Avanço apenas uma de carácter geral. No Alentejo há uma mentalidade e tradição de que a Igreja e a religião são para as crianças e as mulheres, embora os homens respeitem a Igreja e sejam religiosos. A minha sugestão é, para além de uma profunda conversão de todos nós, a mudança no estilo de evangelização e de colaboração daqueles que estão à frente das comunidades e dos que delas fazem parte, sobretudo crianças, mulheres e idosos. Ou seja, trabalhar mais a partir da família e incluir na nossa prática pastoral todas as gerações, com especial atenção para os mais frágeis, crianças e idosos. Encontrar modos de envolver mais a família na catequese, na celebração dos sacramentos, na vivência da caridade, embora compreendendo a menor disponibilidade das pessoas que estão na vida activa.

Recordo-me do trabalho paroquial da minha juventude sacerdotal. Como as famílias foram interpeladas quando organizamos melhor a catequese paroquial, criamos grupos musicais com os jovens que andavam pelas ruas de viola às costas e se reuniam em pequenos grupos, da visita aos idosos e doentes que ficavam em casa enquanto os filhos saíam de manhã cedo para o trabalho e regressavam a casa muito tarde. Isto foi chamando a atenção das pessoas na vida activa, a ponto de a encarregada da catequese no Patriarcado, chamada para fazer a preparação das famílias para a festa da primeira comunhão das crianças, ter exclamado admirada: até que enfim encontro uma paróquia onde as crianças têm pais e não somente mães.

Temos de ser criativos e persistentes na evangelização, na inclusão de todas as gerações na sociedade e na acção da Igreja, pois costumes e ambientes arraigados não se mudam numa só geração.

† António Vitalino, Bispo de Beja

Nota semanal em áudio:



No Facebook, mais do que mensagens, dar o nosso testemunho

Entrevista com Mons. Celli. No Sínodo da Família será o tema das redes sociais. E a mensagem da JM das Comunicações Sociais será comunicação e família


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


A questão da comunicação entrará plenamente no sínodo da família, será de grande importância, e a vemos na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, publicado nessa segunda-feira, disse o presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o arcebispo Claudio Maria Celli.

Disse também que as redes sociais não são apenas um instrumento, mas também um ambiente onde as pessoas moram e trabalham. Recordou que o papa Francisco convidou os católicos a estarem nelas e que é preciso, mais do que mensagens religiosas, colocar o próprio testemunho. Isso pode aproximar muita gente da Igreja, embora seja necessário, depois, aproximar estas pessoas fisicamente da comunidade cristã onde se recebe os sacramentos.

ZENIT: Excelência, acabam de ser realizados dois congressos sobre comunicação com bispos. Por quê?
- Mons. Celli: Estes seminários fazem parte do diálogo colaborativo que há entre o Pontifício Conselho das Comunicações e o CELAM. Esta iniciativa de realizar seminários para bispos começou há algum tempo. Já fizemos dois no Brasil no ano passado, e um na Argentina para os Bispos do Cone Sul; outro em Cuba. Este ano, no entanto, fizemos um na Bolívia, Cochabamba, para os bispos do Peru e Bolívia. O segundo segunda foi em Bogotá para os bispos da Colômbia, Equador e Venezuela. Em Novembro vamos fazer um no México com toda a Conferência Episcopal. E também em Novembro estaremos em Manágua, com todos os bispos da América Central e do Caribe.

ZENIT: Qual é o problema de fundo?
- Mons. Celli: É ajudar os bispos a entender o que está acontecendo no mundo da comunicação, e entender que as tecnologias de comunicação actuais não são apenas instrumentos, mas oportunidades que criam um novo ambiente existencial. E esta é a grande descoberta. Não um instrumento a mais na mão, mas que essas tecnologias são um ambiente de vida onde os homens trabalham e vivem. Por exemplo, hoje em dia um jovenzinho europeu passa de 3 a 5 horas no computador. E este ambiente de vida é uma rede, e também as redes sociais.

Então, o nosso problema é ajudar os bispos a entender que a comunicação hoje em dia não é mais apenas uma ferramenta, como ter um rádio, uma TV ou um jornal. Mas ver como as novas tecnologias criam desafios e oportunidades para a Igreja anunciar o Evangelho.

ZENIT: E, como os católicos devem relacionar-se com as redes sociais?
- Mons. Celli: O Papa Francisco diz claramente: não tenha medo de entrar nas redes sociais. É verdade, não é um convite ingénuo, embora o Papa conheça perfeitamente os limites e perigos das redes sociais. Mas, diz: estejam presentes e dêem testemunho. E de forma muito simpática fala que não se trata de bombardear as redes sociais de mensagens religiosas. Não fazer proselitismo, mas dar testemunho. Por isso, as pessoas têm que dar testemunho dos valores em que acreditam, com a própria presença, com os próprios juízos, com os próprios valores, com a sua avaliação das coisas. É verdade que muitas pessoas conhecerão Jesus Cristo nas redes sociais. Porque muitos homens e mulheres de hoje nunca colocaram o pé em uma igreja, mas poderão encontrar o Senhor nas redes sociais. Isso é um desafio.

ZENIT: Então, dar testemunho, não é mesmo?
- Mons. Celli: Um leigo, por exemplo, pode expressar o seu juízo, avaliações sobre a vida de hoje, sobre um evento, uma notícia, sobre como ele reage diante da vida. Porque já Paulo VI dizia: "O mundo de hoje acredita mais nas testemunhas do que nos mestres. E se acredita no Mestre é porque Jesus é testemunho. Há uma frase muito bela que usava o papa Bento XVI e que Francisco retomou: ‘A Igreja cresce por atracção, não por proselitismo’ e, por exemplo, é necessário fazer presente o próprio testemunho, os próprios sentimentos. O Papa pede para ser autênticos e dar valor aos valores.

ZENIT: E os sítios que fazem o anúncio formal?
- Mons. Celli: Sim, também estão as que fazem um anúncio formal. Conheci pessoas, por exemplo, em um congresso que tinha conhecido o Senhor visitando um sítio web monástico, e disse em público que ‘se hoje recuperei a fé foi graças a esse sítio’. Mas, não temos que virar pregadores ambulantes, não devemos bombardear com as mensagens religiosas. Contrariamente seria suficiente ter um computador e enviar uma frase do evangelho de tempo em tempo. Não é isso, mas o testemunho dado com o próprio exemplo e estilo de vida.

ZENIT: É suficiente o ambiente digital?
- Mons. Celli: Segunda coisa importante: não posso me tornar um discípulo do Senhor só na internet. Devo ter uma comunidade específica que me acolha. Não posso imaginar que minha vida cristã só esteja ligada à Internet. Posso começar a conhecer, a entender, posso abrir cenários em minha mente e coração, mas depois preciso encontrar uma comunidade concreta com a qual caminhar. Basta pensar nos sacramentos, não posso obtê-los pela internet.

ZENIT: Então, como ir do digital para uma comunidade real?
- Mons. Celli: E aqui é necessário encontrar pessoas que me ajudem a fazer esta passagem da internet para a comunidade real. Por exemplo convidar aos próprios encontros na comunidade. Este é o grande desafio.

ZENIT: No sínodo da família, seu dicastério vai dizer algo sobre a família e comunicação?
- Mons. Celli: Não podemos ter uma visão reducionista do sínodo, que também tocará o tema do evangelho da família. E posso antecipar-lhe que o próximo tema das Jornadas Mundiais da Comunicação Social será comunicação e família. O papa quer que o tema da comunicação entre no tema da família. Tendo dois sínodos pela frente, o de Outubro e o de 2015, é inegável que o tema da família será fundamental. Já verá o tema, que será publicado na próxima segunda-feira. O tema da mensagem será publicado no do dia da festa dos Arcanjos. (Entrevista original em Espanhol, 27-09-2014)

Ban Ki Moon reune-se com o cardeal Parolin e convida o papa a falar na ONU

Visita poderia coincidir com o Encontro Mundial das Famílias, de 22 a 25 de setembro de 2015, na Filadélfia


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


O secretário geral das Nações Unidas, o coreano Ban Ki Moon, comentou com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que "chegou a hora de que o papa fale diante dos chefes de Estado e de governo da ONU".

A declaração aconteceu durante o recente encontro com o purpurado na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ban Ki-Moon aproveitou para convidar o pontífice às Nações Unidas, talvez por ocasião dos 70 anos da fundação da Organização Mundial pela Paz.

É uma possibilidade que vem sendo considerada desde maio, quando, no Vaticano, o Santo Padre recebeu Ban Ki-Moon em audiência junto com os chefes das agências da ONU. Na ocasião, o secretário geral da ONU tinha pedido que Francisco se dirigisse "na primeira ocasião possível a Nova Iorque".

Agora as condições parecem favoráveis, já que a visita poderia coincidir com o Encontro Mundial das Famílias, na Filadélfia, a ser realizado de 22 a 25 de Setembro de 2015.

Comunicar a beleza da família: um presente enorme, bom e belo

O tema da Jornada Mundial das Comunicações Sociais se alinha ao sínodo sobre a família


Cidade do Vaticano, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


"Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratituidade do amor": este é o tema que o papa Francisco escolheu para a 49ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais, em 2015.

O tema da Jornada Mundial das Comunicações Sociais deste ano segue a linha escolhida no ano passado e, ao mesmo tempo, entra no âmbito central dos dois próximos sínodos: a família.

A nota informativa, distribuída pela Sala de Imprensa do Vaticano, recorda que "a crónica quotidiana narra as dificuldades pelas quais a família passa actualmente" e observa que, com frequência, "as mudanças culturais não ajudam a entender o grande bem que a família é".

São João Paulo II menciona em sua encíclica Familiaris Consortio: "As relações entre os membros da comunidade familiar são inspiradas e guiadas pela lei da 'gratituidade', que, respeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como único título de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e diálogo, disponibilidade desinteressada, serviço generoso e solidariedade profunda".

A este propósito, colocam-se algumas questões: "Como podemos dizer hoje, ao homem ferido e desiludido, que o amor entre um homem e uma mulher é algo muito bom? Como fazer com que os filhos experimentem que são um dom precioso? Como levar calor ao coração da sociedade ferida e cansada de tantas desilusões amorosas, e dizer-lhe ‘coragem, vamos recomeçar’? Como explicar que a família é o primeiro e mais significativo ambiente em que se experimenta a beleza da vida, a alegria do amor, a doação gratuita, a consolação do perdão dado e recebido, e onde se começa a encontrar o outro?".

O comunicado prossegue dizendo que a Igreja deve aprender de novo a explicar que a família é um dom enorme, bom e belo. "Ela é chamada a dizer que a gratituidade do amor, oferecida pelos esposos, aproxima todos os homens de Deus e é uma tarefa entusiasmante".

A Jornada Mundial das Comunicações Sociais, recorda o comunicado, é a única jornada mundial estabelecida pelo Concílio Vaticano II. É celebrada em muitos países, por recomendação dos bispos, no domingo anterior à festa de Pentecostes (17 de Maio, no caso de 2015).  A mensagem do Santo Padre para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais é publicada tradicionalmente na festividade de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, em 24 de Janeiro.

O papa doa cem mil euros à Fundação Auschwitz-Birkenau

Francisco respondeu ao pedido internacional para sustentar o mais importante museu sobre o extermínio nazista


Cidade do Vaticano, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


O papa Francisco doou 100 mil euros à Fundação Auschwitz-Birkenau, que gere o maior museu sobre o tragicamente célebre campo de concentração alemão, situado, na verdade, na cidade polaca de Oswiecim. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 29, por Piotr Cywinski, presidente da fundação e director do museu.

O cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, escreveu na mensagem que acompanha a doação: "A soma não é grande porque as nossas possibilidades são limitadas, mas, com ela, expressamos o nosso pleno apoio ao projecto empreendido pela fundação".

O Vaticano é o 31º país em doar para o "fundo perpétuo" de 120 milhões de euros, estabelecido pela Fundação Auschwitz-Birkenau, para manter o museu.

Auschwitz-Birkenau é praticamente sinónimo do Holocausto e foi o maior campo nazista de extermínio. Entre 1940 e 1945, mais de 1,1 milhão de prisioneiros perdeu a vida nas suas instalações, a maioria deles judeus.

O complexo era formado por diversos campos de concentração e extermínio construídos pelo regime nazista após a invasão da Polónia pela Alemanha em 1939, episódio que deu início à Segunda Guerra Mundial.

A UNESCO declarou o museu de Auschwitz-Birkenau património da humanidade em 1979.

O papa lembra aos idosos que a velhice é um tempo de graça

Milhares de idosos foram à Praça de São Pedro para compartilhar com o papa Francisco e com o papa emérito Bento XVI "a bênção da longa vida"


Cidade do Vaticano, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García


A Praça de São Pedro foi, neste domingo, 28, o cenário de mais um abraço entre o papa emérito Bento XVI e o papa Francisco. A ocasião foi a Jornada da Terceira Idade: idosos e avós procedentes de mais de vinte países se encontraram na manhã deste domingo e deram testemunho de uma vida plena, feliz e a serviço dos outros.

Esta Jornada, chamada de “Bênção da Longa Vida” e organizada pelo Pontifício Conselho para a Família, foi uma oportunidade para escutar os testemunhos de avós que encontraram no próprio fato de "ser avós" uma verdadeira vocação. Deixando de lado o medo de envelhecer e de se sentirem inúteis, estes idosos proclamaram a alegria de ser anciãos.

A música e os cantos para animar a festa, como não poderia deixar de ser, ficaram a cargo de cantores de cabelos grisalhos. O encarregado de entoar a primeira música foi o italiano Andrea Bocelli, com sua famosa canção "Con te partirò".

Depois de escutar os vários testemunhos de avós e anciãos de várias partes do mundo, o Santo Padre dedicou algumas palavras aos fiéis presentes, agradecendo a todos por participarem e fazendo um agradecimento especial a Bento XVI. "Eu disse muitas vezes que gosto muito que ele viva aqui no Vaticano, porque é como ter o avô sábio em casa", afirmou Francisco.

A seguir, o pontífice destacou um dos testemunhos ouvidos na praça, o do casal iraquiano vindo de perto de Mossul. "A eles, vamos dizer todos juntos um especial obrigado. É muito bonito que vocês tenham vindo aqui hoje; é um dom para a Igreja; e nós lhes oferecemos a nossa proximidade, a nossa oração e a ajuda concreta", disse Francisco.

O papa completou que "a violência contra os idosos é desumana, como também a violência contra as crianças. Mas Deus não os abandona. Ele está com vocês. Com a ajuda dele, vocês são e continuarão sendo memória para o seu povo. E também para nós, para a grande família da Igreja. Obrigado".

Estes irmãos, prosseguiu o papa, nos testemunham que, mesmo nas provações mais difíceis, os idosos que têm fé são como árvores que continuam dando fruto. E isto vale também nas situações mais comuns, em que pode haver outras tentações e outras formas de discriminação.

O Santo Padre declarou que a "velhice, de forma particular, é um tempo de graça em que nosso Senhor nos renova o seu chamado e nos chama a custodiar e transmitir a fé. Ele nos chama a rezar, nos chama a interceder, nos chama a ser próximos de quem precisa dele".

"Os avós têm uma capacidade para entender as situações mais difíceis, uma grande capacidade. E, quando rezam por estas situações, a oração deles é forte, é poderosa!".

"Os avós, que receberam a bênção de ver os filhos dos seus filhos, têm uma tarefa grande: transmitir a experiência da vida, a história de uma família, de uma comunidade, de um povo; compartilhar com simplicidade uma sabedoria e a mesma fé: a herança mais preciosa!".

Francisco mencionou os países em que a perseguição religiosa foi ou tem sido cruel: nesses lugares, "foram os avós que, às escondidas, levaram as crianças para ser baptizadas". Eles "salvaram a fé nesses países", afirmou Francisco.

Mas o ancião nem sempre tem uma família que o acolhe. Por esta razão, o Santo Padre pediu que as casas para os idosos sejam "realmente casas e não prisões" e sejam de facto "para os idosos, e não para os interesses de outros". Francisco afirmou que não "deve haver instituições nas quais os idosos vivam esquecidos, escondidos, descuidados". As residências de idosos deveriam ser "pulmões" de humanidade num país, num bairro, numa paróquia; "deveriam ser santuários de humanidade, onde quem é velho e frágil recebe cuidados e é protegido como um irmão ou como uma irmã mais velha".

Outro aspecto sobre o qual o Santo Padre reflectiu em seu discurso foi o abandono dos idosos. Às vezes, "os mais velhos são descartados com atitudes de abandono que são uma verdadeira eutanásia oculta". Isto, explicou ele, "é efeito dessa cultura do descarte, que faz muito mal ao mundo. Todos nós somos chamados a nos contrapor a esta venenosa cultura do descarte".

Como cristãos, concluiu o papa, somos chamados a imaginar, com fantasia e sabedoria, os caminhos para encarar este desafio. "Um povo que não cuida dos avós e não os trata bem é um povo que não tem futuro", destacou Francisco. Mas ele também exortou os idosos: "Vocês têm a responsabilidade de manter vivas estas raízes em vocês mesmos. Com a oração, com a leitura do evangelho, com as obras de misericórdia". Assim, agregou, “permanecemos como árvores vivas, que, na velhice, não param de dar fruto”.

O bispo de Roma afirmou, ao finalizar, que "uma das coisas mais belas da vida de família, da nossa vida humana de família, é acariciar uma criança e se deixar acariciar por um avô ou por uma avó".

Francisco celebrou a santa missa e, em seguida, conduziu a oração mariana do ângelus.

Papa: Remar na Barca de Pedro, também com o vento contrário

O Santo Padre presidiu a liturgia de acção de graças do 200º aniversário da restauração da Companhia de Jesus


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


O papa Francisco presidiu na tarde deste sábado, 27 de setembro, na Igreja do Santíssimo nome de Jesus, em Roma, a liturgia de acção de graças pelo 200º aniversário da restauração da Companhia de Jesus na Igreja universal. A reintegração foi autorizada pelo Papa Pio VII com a bula ‘Sollicitudo omnium ecclesiarum' do 7 de Agosto de 1814. E em um 27 de setembro como hoje, mas de 1540, foi quando o Papa Paulo III aprovou pela primeira vez a Companhia".

No altar-mor da igreja 'Del Gesu' tinha sido colocada a imagem da "Madonna della Strada" (Nossa Senhora do caminho), à qual os jesuítas rezavam desde o início da Companhia, e as lâmpadas e bandeiras lembrando os cinco continentes.

Em suas palavras, o Papa Francisco recordou que "a Companhia que leva o nome de Jesus viveu tempos difíceis de perseguição" durante os quais "os inimigos da Igreja foram capazes de obter a supressão da Companhia pelo meu predecessor, Clemente XIV".

"Hoje, recordando a sua reconstituição – indicou o Santo Padre – somos chamados a recuperar a nossa memória, trazendo à memória os benefícios recebidos e os dons particulares."

E elogiou o então Geral da Companhia, o Padre Ricci, que ante as tentações "não se deixou enrolar" e propôs aos jesuítas em tempos de tribulação, “uma visão das coisas que os enraizava ainda mais na espiritualidade da Companhia”. Considerou que esta atitude levou os jesuítas a ter experiência da morte e ressurreição do Senhor, mesmo “diante da perda de tudo, até mesmo da sua identidade pública”.

"A Companhia – e isso é bonito, acrescentou o Papa – viveu o conflito até o fim, sem reduzi-lo: viveu a humilhação de Cristo humilhado, obedeceu". O fez sem buscar salvar-se, graças a “um compromisso fácil”, porque não se devem praticar “fáceis irenismos”. Por isso, o pe. Ricci, “privilegiou a história com relação a uma possível pequena cinza, sabendo que o amor julga a história, e que a esperança, mesmo na escuridão, é maior do que as nossas expectativas".

E o padre Ricci não se defende sentindo-se “uma vítima da história, mas pecador”. Porque “reconhecer-se pecador, evita colocar-se na condição de considerar-se vítima diante de um carrasco".

O Papa percorreu as principais etapas da perseguição: em 1759 os decretos do Marquês de Pombal que a destruiu em Portugal; em 1761 a tempestade que avançava na França; em 1760 a expulsão da Espanha; e em 1773 a assinatura do fechamento com o breve Dominus ac Redemptor. O geral disse que o importante para a Companhia era “ser fiel até o fim, fiel ao espírito da sua vocação, que é a maior glória de deus e a salvação das almas" e exortou a manter vivo o espírito de caridade, de união, de obediência, de paciência, de simplicidade evangélica, de verdadeira amizade com Deus. Todo o resto é mundanismo.

Francisco convidou a recordar a história de sua ordem religiosa, à qual "foi dada a graça não só de crer no Senhor, mas também de sofrer por ele".

E assim como a barca da Companhia foi sacudida pelas ondas, também a barca de Pedro pode ser hoje. Porque “a noite e o poder das trevas estão sempre próximos”. E convidou os jesuítas a remar, “Remem, sejam fortes, também com o vento contrário. Rememos ao serviço da Igreja, rememos juntos! Porque “também o Papa rema na barca de Pedro”. Convidou, por tanto, a rezar “Senhor, salvai-nos; Senhor, salva o seu povo”.

Recordou também que quando a Companhia foi reconstituída, se colocou à disposição da Santa Sé, e voltou à sua actividade com a pregação e o ensinamento dos ministérios espirituais, a investigação científica, a acção social, as missões e a atenção dos povos, dos que sofrem e dos que estão marginalizados.

"Hoje, a Companhia – continuou o Papa – enfrenta com inteligência e diligência também o trágico problema dos refugiados e das pessoas deslocadas, e se esforça com discernimento para integrar o serviço da fé e a promoção da justiça, de acordo com o Evangelho.

Recordando "que a bula de Pio VII, que reconstituía a Companhia, foi assinada no dia 7 de Agosto de 1814, na basílica de Santa Maria Maior”, onde santo Ignácio celebrou a sua primeira missa no Natal de 1538. E concluiu: "Maria, nossa Senhora, Mãe da Companhia, estará comovida por causa dos nossos esforços por estar a serviço do seu Filho. Que ela nos guarde e nos proteja sempre”.

"Viemos agradecer a Dom Álvaro pelo que fez com o nosso filho"

Entrevista com Suzanne Wilson, mãe de José Ignacio Ureta, a criança que foi curada por intercessão do novo Beato


Madrid, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas


O milagre que permitiu beatificar D. Álvaro del Portillo, o primeiro sucessor do fundador do Opus Dei, São Jose Maria Escrivá, é a inexplicável cura do bebé chileno, José Ignacio Ureta Wilson, que com poucos dias de vida, sofreu uma parada cardíaca de mais de meia hora e uma hemorragia massiva.

Os fatos aconteceram no dia 2 de Agosto de 2003. Seus pais rezaram com grande fé através da intercessão de D. Álvaro, e quando os médicos pensavam que o menino estava morto, inesperadamente, o coração do recém-nascido começou a bater de novo, até atingir a taxa de 130 batimentos por minuto. A coisa mais surpreendente é que, apesar da gravidade da situação, a criança, hoje, 11 anos depois, desenvolve sua vida normalmente.

Neste sábado, 27, José Ignacio, junto com os seus pais, Javier Ureta e Susan Wilson, levaram a relíquia de Dom Álvaro del Portillo durante a cerimónia de beatificação, que foi ao meio-dia, no subúrbio madrilense de Valdebebas e com a participação de mais de 200.000 pessoas de 80 países.

ZENIT entrevistou a mãe do menino chileno curada por intercessão do novo Beato alguns minutos antes da celebração.

***

ZENIT: O que significa para você participar da cerimónia de beatificação de Dom Álvaro?
- Susan Wilson: Uma alegria enorme. Viemos para agradecer. Estamos muito emocionados. Já comecei a chorar... Estamos aqui para agradecer a Dom Alvaro pelo que fez pelo nosso filho: um milagre. Viemos para isso, para celebrar e agradecer.

ZENIT: Como José Ignacio está vivendo este momento?
- Susan Wilson: Está feliz, feliz. Acordou com muito bom humor. Está maravilhado. Está desfrutando de tudo da melhor forma.

ZENIT: E a sua família ...
- Susan Wilson: São momentos de muita vida interior, para agradecer, celebrar. Isso só acontece uma vez na vida, é único. Por isso estamos aqui tão contentes. Entre o público, está a minha família que nos acompanha. E nós aqui, no altar, para entregar a relíquia.

Gostaria de enviar uma mensagem aos leitores de ZENIT?
- Susan Wilson: Que sempre tenham fé, porque Deus nos acompanha em cada momento. Diante das dificuldades, Deus nunca nos deixa sozinhos. Embora às vezes nós não entendamos o que está acontecendo. No fim da vida vamos descobrir que os problemas têm uma explicação. Sempre trazem um bem para nós. 

O Papa pede para os venezuelanos não terem medo da paz

O Santo Padre enviou uma mensagem por ocasião da Semana Internacional da Paz, celebrada na Venezuela


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


"Não deve-se temer a paz e a convivência. A reconciliação e a unidade não são uma derrota ou uma perda, mas uma vitória, porque quem sai ganhando é o ser humano, criado por Deus para viver em harmonia e concórdia”. Esta é a mensagem que o Santo Padre Francisco enviou para a Venezuela por ocasião da Semana Internacional da Paz, que foi celebrada lá do 21 ao 26 de Setembro.

A mensagem, enviada pelo núncio apostólico em Caracas, Mons. Aldo Giordano, foi lida durante o encontro inter-religioso conclusivo do evento, no qual participaram delegados da Igreja católica e evangélica, da comunidade judaica e da muçulmana. Desta forma, o Papa encorajou todos a "redobrar os esforços para que a chama da paz presente no coração dos homens e das mulheres de boa vontade, ilumine com a sua luz toda a sociedade". E assim, pediu "que o exemplo de Cristo, que por sua morte destruiu o muro do ódio e da divisão, os ajude no compromisso por uma sociedade mais justa e pacífica".

Por sua parte, monsenhor Giordano quis que este evento possa ser "um caminho na busca do que une para superar o que divide". Por isso, indicou que “sabemos que muitas pessoas de diferentes culturas, nações, línguas e religiões de todo o mundo trabalham e rezam pela paz. Estamos unidos a todos os que amam a paz e trabalham pela paz, para que os homens e mulheres possam viver como irmãos e não como adversário e inimigos”.

Finalmente, reconheceu que "estamos próximo de todas as pessoas que são vítimas em muitos países do mundo da mão assassina, covarde e desequilibrada de outras pessoas".

Satanás e seus "projectos" de destruição

Na festa dos Santos Arcanjos, o Papa em Santa Marta adverte contra as tentativas do diabo para destruir a humanidade por causa da inveja. Mas tranquiliza: "Os anjos nos defendem e o dragão foi vencido"


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio


No dia em que a Igreja celebra os Santos Arcanjos, o Papa fala de Satanás, na missa em Santa Marta, justamente para marcar a vitória de Miguel, Gabriel e Rafael contra "o grande dragão, a antiga serpente, que é chamado diabo."

A liturgia do dia apresenta imagens fortes: a visão do profeta Daniel da glória de Deus e o Filho do Homem, Jesus Cristo, diante do Pai: a luta do Arcanjo Miguel e suas legiões contra o diabo que "engana toda a terra". E, finalmente, a derrota do grande dragão, narrada no Apocalipse.

Nessa "luta entre o diabo e Deus" concentra-se a reflexão do Papa. Luta que - explica - "acontece depois que Satanás procura destruir a mulher que está prestes a dar à luz ao filho”. Satanás, de fato, "sempre tenta destruir o homem: O homem que Daniel viu ali, na glória, e que Jesus dizia a Natanael que viria na glória".

Desde as primeiras páginas, a Bíblia fala sobre essa "sedução" demoníaca que tinha como objectivo "destruir" a criatura do Criador. "Talvez por inveja", diz Bergoglio, porque, como lemos no Salmo 8: "Tu fizeste o homem superior aos anjos", e “esta inteligência tão grande do anjo não podia suportar esta humilhação, que uma criatura inferior fosse feita superior; e tentava destruí-la".
São muitos os "projectos" que Satanás procura, para realizar seu objectivo. "Muitos, mas muitos, muitos projectos de desumanização do homem, são obras dele, simplesmente porque ele odeia o homem", afirma o Santo Padre, que adverte contra esses perigos, porque, como consta na primeira página do Génesis, o diabo é "astuto", "apresenta as coisas como se fossem boas", quando "a sua intenção é a destruição."

Mas onde um anjo tenta nos aniquilar, outros três intervêm em nosso favor. "Os anjos nos defendem - garante Francisco - defendem o homem e defendem o Homem-Deus, o Homem superior, Jesus Cristo que é a perfeição da humanidade, o mais perfeito."

É por isso que "a Igreja honra os anjos":  que “estão na glória de Deus, porque defendem o grande mistério oculto de Deus, o Verbo que se fez carne."

Mas neste ciclo de ataque e defesa há uma tarefa para o povo de Deus, o chamado a "guardar em si mesmo o homem: o homem Jesus"; aquele "que dá a vida a todos os homens", destacou o Papa Francisco. Guarda-lo, mas também protegê-lo dos projectos de destruição de Satanás, que dá "explicações humanísticas que vão justamente contra o homem, contra a humanidade e contra Deus”:

“A luta – explicou o Papa- é uma realidade quotidiana, na vida cristã: no nosso coração, na nossa vida, na nossa família, no nosso povo, nas nossas igrejas... Se não se luta, seremos derrotados. Mas o Senhor deu esta missão principalmente aos anjos, de lutar e vencer”.

Rezemos aos Arcanjos – exortou o Papa -. Invoquemos Miguel, Gabriel e Rafael e recitemos “aquela oração antiga, mas tão bonita, do Arcanjo Miguel, para que continue a lutar para defender o maior mistério da humanidade: que o Verbo se fez homem, morreu e ressuscitou. “Este é o nosso tesouro – concluiu o Papa - Que ele continue a lutar para guardá-lo”.

"Conhecer Cristo através da leitura assídua da Palavra de Deus"

Papa recebe em audiência os membros da Aliança Bíblica Universal, que apresentaram a nova tradução italiana da Bíblia Interconfessional


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


“Eu gostaria que todos os cristãos pudessem aprender a sublime ciência de Jesus Cristo, através da leitura assídua da Palavra de Deus, pois o texto sagrado é o alimento da alma e manancial puro e perene de vida espiritual para todos nós”. Este é o desejo do Papa Francisco expresso esta manhã, durante a audiência com os membros da Aliança Bíblica Universal.

A associação apresentou ao Papa, a Bíblia em italiano "Palavra do Senhor - A Bíblia Interconfessional na linguagem corrente". Este é o resultado de um trabalho "paciente, atento, fraterno, competente e sobretudo, de confiança", disse o Santo Padre.

Ele espera que o texto, aprovado pela CEI e pela Federação das Igrejas Evangélicas na Itália, "motive todos os cristãos de língua italiana a meditar, viver, testemunhar e celebrar a mensagem de Deus."

A versão inter-confessional é “um esforço particularmente significativo", disse o Papa, especialmente, “quando se pensa o quanto debates sobre as Escrituras influenciaram as divisões, especialmente no Ocidente."

“Este projecto inter-confessional, que vos deu a possibilidade de seguir um caminho comum por alguns decénios, vos permitiu de confiar o coração aos outros companheiros de estrada, superando suspeitas e desconfianças, com a confiança que brota do amor comum pela Palavra de Deus”.

Na esperança que todos os cristãos possam aprender e compreender mais profundamente a Palavra do Deus vivo, Francisco exortou a "realizar todo esforço para garantir que cada fiel leia a Palavra de Deus, porque - como dizia São Jerónimo -"A ignorância das Escrituras, de fato, é a ignorância de Cristo ".

Por fim, Francisco agradeceu a todos "de coração", porque "o que conseguiram realizar juntos é precioso justamente porque alcança esse objectivo; e concedeu a bênção apostólica.

O Papa recebe em audiência o presidente de Malta

Ao centro do colóquio, a contribuição do país na União Europeia, a migração e as situações de conflito no Mediterrâneo


Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org)


Esta manhã, o Papa Francisco recebeu em audiência no Vaticano o presidente de Malta, Marie-Louise Coleiro Preca, que posteriormente se reuniu com o arcebispo Dominique Mamberti, Secretário para as Relações com os Estados.

Durante o cordial colóquio, informa uma nota da sala de imprensa do Vaticano, destacaram-se as boas relações entre a Santa Sé e Malta, “dando ênfase à significativa contribuição da Igreja Católica no âmbito educativo e assistencial, especialmente a favor dos pobres.”

Também foram abordadas questões de interesse comum, “com particular referimento ao papel dos valores cristãos na construção da sociedade maltesa e o fortalecimento da instituição familiar". Por fim, conclui a nota, "abordou-se a contribuição de Malta na União Europeia, bem como algumas questões internacionais, como os conflitos na região do Mediterrâneo, para a qual se deseja uma solução rápida através do diálogo, assim como o fenómeno da migração para a Europa, que envolve a Igreja e o governo."

Arcanjos São Miguel, São Rafael e São Gabriel

São Gabriel com Maria, São Rafael com Tobias, São Miguel com todas as hierarquias, abri para nós todas as vias.


Horizonte, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros


“Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos anjos e dos homens, fazei sejamos protegidos na terra por aqueles que vos servem no céu”. Assim reza a Igreja neste dia dedicado aos Arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, cuja existência é uma verdade de fé.  Papa Bento XVI nos apresenta as figuras dos anjos como uma criatura que está diante de Deus e Deus está inscrito neles através do nome. Assim nos diz o pontífice: “Os três nomes dos Arcanjos terminam com a palavra "El", que significa "Deus". Deus está inscrito nos seus nomes, na sua natureza.” A missão dos anjos é nos trazer a mensagem de Deus, conforme constatamos nos relatos bíblicos, e de forma mais concreta serem portadores da presença do próprio Deus a nós. O teólogo Bussoet dizia: “Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos”.

O Arcanjo Miguel cujo nome significa “Quem como Deus”, é o príncipe da milícia celeste e defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba do demónio. A Tradição nos revela que foi Miguel que precipitou no inferno a Lucífer e seus demônios.  Podemos encontrar referências bíblicas do arcanjo nos livros de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas Tadeu e no Apocalipse.

O Arcanjo Rafael que significa “Deus cura” nos é apresentado pela Igreja com a missão de ser portador da Cura de Deus e, através dela, banir o demónio. São célebres as referências ao arcanjo no livro de Tobias quando o mesmo o acompanha e além de curar a cegueira de Tobit, orienta Tobias de como expulsar o demônio que vitimava os pretendentes de Sara.

O Arcanjo Gabriel que significa “Homem forte de Deus” é o mensageiro da encarnação de Deus. Ele anunciou à Maria acerca da vinda do Salvador como podemos ver no Evangelho de Lucas.

Contemplamos a grandeza do amor de Deus e da presença solícita dos anjos em nossas vidas. Temos a convicção de sermos assistidos e protegidos por eles e neste dia professamos o que a Igreja nos diz: “Nós vos apresentamos, ó Deus, com nossas humildes preces, estas oferendas de louvor; fazei que levados pelos anjos à vossa presença, sejam recebidas com agrado e obtenham para nós a salvação.”

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Emotivo vídeo sobre o professor Wright: um tipo genial nas aulas, um homem abençoado no seu lar

Fala aos seus alunos sobre Deus, a Criação e o amor 

A verdadeira lição que oferece Wright aos seus alunos
aprendeu-a ele mesmo no seu lar.

Actualizado 3 de Setembro de 2014

ReL


Esta reportagem (ver vídeo abaixo) ganhou em 2012 um prémio da Universidade de Missouri. O seu autor, que tinha então 22 anos, é Zack Conckle, um ex-aluno do seu protagonista, Jeffrey Wright, que o dirigiu porque não se sentia capaz de explicar com palavras o que este professor significava para ele: "Queria mostrar ao mundo este homem louco e extraordinário".

O professor Jeffrey Wright ensina Ciências no Mal High School de Louisville (Kentucky, Estados Unidos). Tem hoje 47 anos e leva quase um quarto de século consagrado à docência. É célebre no instituto porque as suas aulas são as favoritas de todo os alunos, porque ensina as leis da Física e da Química a partir de singulares experiências.

Mas há algo mais: para muitos desses jovens, é também o conselheiro que lhes falta em casa. Aqueles a quem transmite uma lição recebida no seu próprio lar e do seu próprio filho, uma das únicas 417 pessoas em todo o mundo que padecem da síndrome de Jaubert.

Wright, católico da paróquia de São Pio X em Louisville, explica-lhes como o pequeno Adam, que tinha 12 anos quando se rodou o vídeo, lhe deu a chave do papel do amor na vida e o sentido do plano de Deus na Criação.

A lei de Wright

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Folha Paroquial de S. José de 28 de Setembro de 2014



Viver não custa…

Recordo-me de ter lido (não me lembro onde, privilégios da idade) esta frase: “O modo como nos ocuparmos dos nossos idosos será uma característica histórica do nosso grau de civilização”.

À medida que a nossa população aumenta de idade, teremos de prestar cada vez mais atenção a esta incontornável questão bem como ao envelhecimento do Ocidente e das suas naturais consequências sociais.

Perante esta pseudo cultura da morte será bom também não esquecer o conceito de "autonomia relacional", a ideia de que uma pessoa não é um ser isolado, mas faz parte de um todo, uma família, uma sociedade, um país, um continente e um planeta vivo que se chama Terra. 

Muitos parecem ter perdido o sentido de uma conexão do ser humano entre si, com os outros, com o universo e com o cosmos de que fazem parte, numa mera forma relacional de equilíbrios onde todos os momentos estão mutuamente implicados, no sentido dos afectos e do amor e da vida no seu todo.

Cada idade tem as suas necessidades, as suas belezas, as suas tarefas e exigência de cuidados. O convívio entre idosos e jovens, sempre foi, é e será motivo de mútuo complemento, de troca de saberes e experiências, numa vivência de continuidade intergeracional. Os seus tempos cruzam-se numa partilha de equilíbrio, numa cumplicidade curiosa, numa terna forma de viver e saber ensinar a viver.

Cícero escreveu que "o peso da idade é mais leve para quem se sente respeitado e amado pelos jovens".

O cineasta sueco Ingmar Bergman disse que "envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto se sobe as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a vista mais ampla e serena".

Em época de predadores da vida eu atrevo-me a recordar a célebre frase de Júlia César depois de ter subjugado a Gália rebelde: veni, vidi, vinci - cheguei, vi e venci. Parece-me ser, nos tempos que correm, uma atitude muito de moda, entram em cena política adultos de meia-idade, ou jovens de idade avançada, depende do ponto de vista, ignoram o que já existia antes de terem nascido e desconhecem em absoluto que o tempo flui de forma vertiginosa, trucidadora e implacável. Deles nem vai restar uma banda desenhada que faça rir os avós, os filhos e os netos. Ou será que já foi descoberto o elixir da longa vida e está no segredo destes falsos deuses?

Acabo com uma frase optimista mas que transporta muita responsabilidade para todo o cidadão que se quer livre, feliz e respeitado em todas as épocas da sua vida; que amou, trabalhou e lutou por nobres ideais da sociedade:

"O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas por aqueles que permitem a maldade." Albert Einstein 

Duma forma mais simples eu diria: - “o mal só avança porque os bons não fazem nada…”

A isto eu chamo muito simplesmente “cidadania activa e participada”, liberdade com responsabilidade, humanidade com ética, respeito pela vida que não nos pertence e pela morte que está anunciada, mas é crime provocá-la ou antecipá-la e será uma aberração legislá-la.
 

Maria Susana Mexia