terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Quatro indigentes (e um cachorro) tomaram o pequeno-almoço com o Papa na manhã do seu aniversário, depois da missa

Actualizado 17 de Dezembro de 2013

Aciprensa / ReL 

Os convidados do Papa na manhã
de terça-feira, com o esmoleiro papal
- Foto de ANSA
O Gabinete de Imprensa da Santa Sé informou que o Papa Francisco recebeu na manhã de terça-feira, 17 de Dezembro no Vaticano quatro indigentes, que chegaram para assistir à sua missa matinal na Residência de Santa Marta e felicitar o Pontífice pelo seu 77º aniversário.

Os visitantes chegaram acompanhados do esmoleiro do Papa, o Arcebispo Konrad Krajewski, que todas as noites percorre as ruas de Roma em nome do Santo Padre para ajudar os pobres.

Os quatro homens, um deles acompanhado do seu cachorro, foram apresentados ao Santo Padre por monsenhor Krajewski, e participaram na Missa que o Papa Francisco celebra todas as manhãs na capela de Santa Marta, onde reside o Pontífice.

Além disso, “os presentes, junto ao director da Casa Santa Marta, monsenhor Battista Ricca, acompanharam as felicitações ao Santo Padre com um cântico, e depois, todos participaram num pequeno-almoço no refeitório da Domus”, assinala uma nota do Gabinete de Imprensa da Santa Sé.

Na Missa, também participaram alguns trabalhadores da residência, assim como o novo Secretário de Estado Vaticano, monsenhor Pietro Parolin e o Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Angelo Sodano.

O correio do Papa, colapsado
O Gabinete de correspondência do Papa Francisco da Secretaria de Estado não dava vazão porque nos últimos dias receberam milhares de mensagens, cartões e orações chegadas de todas as partes do mundo para felicitar o aniversário ao Santo Padre.

Na sexta-feira 20, a basílica romana de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires oferece ao Papa um concerto no qual participam numerosos artistas italianos e estrangeiros que, além de interpretar peças musicais, leram passagens significativas dos discursos do Papa.

O repertório compreende a Missa Crioula, uma das preferidas de Francisco, obra do compositor argentino Ariel Ramírez que será interpretada pelo Coro da Schola Cantorum da basílica, com instrumentos populares argentinos e contará com a participação da soprano chilena Macarena Valenzuela.

O Vaticano informou mesmo assim que após a Missa, o Santo Padre cumpriu com normalidade a agenda programada para este dia.


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Os 450 ataques a igrejas não travam a fá na Nigéria: 5.000 seminaristas necessitam mais apoio

Actualizado 18 de Dezembro de 2013

AIN / ReL 

Uma família católica vai à missa na
Nigéria... Uma actividade perigosa,
e mais no Natal
A ajuda à Igreja Necessitada lança a sua Campanha de Natal dedicada este ano a apoiar os cristãos na Nigéria.

Este país sofre desde há anos uma onda de violência ocasionada pelo grupo terrorista Boko Haram que pretende islamizar o país.

Na Nigéria os cristãos, só por ser fiéis à sua fé, sofrem perseguição. O braço da Al Qaeda Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecado”) quer impor a lei islâmica, a sharia, em todos os estados do país.

Estes terroristas atacam a Igreja católica, os evangélicos, o Governo actual que não é muçulmano, a polícia, Exército, universidades, entidades bancárias…

Numa conferência de imprensa em Madrid apresentando a situação, o director da Ajuda à Igreja Necessitada, Javier Menéndez Ros, assegurou que “A Nigéria é um dos países mais letais para os cristãos no mundo", e assinalou que só em 2011 se assassinou ali mais cristãos que no Paquistão, Síria, Quénia e Egipto juntos. "A Nigéria registou 70% de todos os assassinatos de cristãos no mundo”.

Desde 2011, produziram-se cerca de 800 assassinatos e mais de 400 ataques a igrejas cristãs.

Atentados no Natal
Muitos fiéis sabem que a sua vida corre perigo por ir à missa de domingo. De facto, um dos maiores atentados destes islamitas radicais produziu-se no passado Dia de Natal, em 25 de Dezembro, quando os fiéis saíam da missa e explodiu um carro bomba na Paróquia Santa Teresa de Madalla. 45 pessoas foram assassinadas e 81 ficaram feridas.

Naquele dia morreu o marido e três dos filhos de Chioma Dike, uma mulher que se salvou porque em vez de ir à Missa ficou em casa preparando a refeição de Natal. Este é o seu testemunho: “Tenho o coração partido, ponho tudo nas mãos do Senhor. Só Deus pode consolar-me. Nunca perderei a fé em Deus”.

Os cristãos na Nigéria puderam perdoar e querem construir um país em paz. A comunidade cristã trabalha pela convivência com os irmãos muçulmanos. Necessitam que as suas igrejas sejam reconstruídas e que haja sacerdotes, catequistas, seminaristas…. Por isso, a Ajuda à Igreja Necessitada lançou este Natal uma campanha para ajudar os cristãos na Nigéria.

Assim o manifestou também em conferência de imprensa o sacerdote nigeriano Kenneth Iloabuchi (na foto junto a estas linhas): “Depois dos atentados os cristãos voltam no dia seguinte à Igreja. Perdoam e põe tudo nas mãos de Deus, estão seguros da sua fé. É um testemunho de esperança para todo o povo nigeriano”.

Seminários cheios
Ajuda à Igreja Necessitada quer ajudar a com bolsas de estudo os seminaristas. A Nigéria é o país com o maior número deles em toda a África: mais de 5.000. Estes jovens querem ser sacerdotes para ajudar a “sanar” as feridas de tantos cristãos vítimas dos atentados.

Os seminários estão abarrotados. O seminário de San Agustín de Jos sofreu repetidas ameaças dos fundamentalistas.

Sem dúvida, estes jovens não têm medo: “Nós queremos ser sacerdotes. Na Nigéria, os extremistas seguem o caminho da violência, mas nós queremos seguir o caminho do Senhor”, comenta Hezekiah Kovona, um dos 327 seminaristas.

A Ajuda à Igreja Necessitada sabe que os sacerdotes são verdadeiros instrumentos da reconciliação e da convivência. Graças a eles, as comunidades cristãs não perderam a sua fé e não responderam aos ataques. Para que os sacerdotes continuem realizando o seu trabalho é necessário o seu sustento económico.

Catequistas e mulheres comprometidas
De igual maneira, os catequistas levam o anúncio do Evangelho nas zonas rurais. Na Nigéria preparam-se durante dois anos e logo irão pelas paróquias para preparar os fiéis a receber os sacramentos. A maioria são laicas muito comprometidas. “Penso que como mulher posso fazer muito mais pela minha Igreja. Para mim é uma oportunidade maravilhosa de evangelizar e ajudar a que as pessoas conheçam Deus. Desejo levar a paz a um mundo que não tem paz”, assegura Margaret, um das mulheres que se está preparando para ser catequista.

"Necessitamos tijolos"
A Ajuda à Igreja Necessitada também quer reconstruir as igrejas e capelas atacadas pelas bombas dos terroristas do Boko Haram. A maneira de colaborar é muito fácil e se pode realizar “comprando tijolos” desde 5 euros cada tijolo.

Todos os projectos da Campanha com os cristãos na Nigéria estão na web:
www.ayudaalaiglesianecesitada.org


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Com a quebra anglicana, o catolicismo é a religião maioritária na Nova Zelândia pela primeira vez

Sacerdotisas desde 1977, bispas desde 1990... Templos vazios 

Jovens católicos da Nova Zelândia na JMJ de Madrid
- o presente e futuro da igreja nas antípodas
Actualizado 17 de Dezembro de 2013

Pablo J. Ginés/ReL

Ao começar este século, em 2001 as pessoas que se declaravam católicas no Censo da Nova Zelândia eram 14% (485.000), frente às que se declaravam anglicanas, que eram 16,7% (585.000).

Doce anos depois, o censo de 2013 mostra a quebra do sentimento de pertença anglicano, que conta já só com 10,6% de aderentes (460.000), enquanto o catolicismo o supera pela primeira vez na história do país, com 11% (492.000).

É a primeira vez na história neozelandesa que o catolicismo é a religião com mais aderentes.

Há que ter em conta que o país passou nestes anos de 3,7 milhões de habitantes a 4,2 milhões. Nem todos os imigrantes que chegaram ao país eram cristãos: pelo menos 123.000 dos novos cidadãos destas ilhas desde o ano 2000 (quase 3% da população) são hindus, budistas, muçulmanos e sikhs (por ordem de importância numérica no censo).

O que de verdade cresceu é o número dos que se declaram "não religiosos": de 29,4% em 2001 para 37,6% no censo actual

Ainda que o catolicismo tenha baixado em percentagem, em números absolutos cresceu ligeiramente. É a única denominação cristã que pode dizer isso: todas as demais baixaram.

Os presbiterianos passam de 12% a 7,6% (de 431.000 a 330.000) e os metodistas de 3,4% a 2,4% (de 120.000 a 103.000). Inclusive os pentecostais, que noutros países costumam recolher parte dos paroquianos que abandona as igrejas protestantes "mainstream", baixaram: de 1,9% para 1,7%.

A quebra do anglicanismo na Nova Zelândia é mais significativo ao ser um dos primeiros ramos anglicanos a "experimentar" uma deriva progressista.

Começaram a ordenar mulheres como sacerdotisas anglicanas já em 1977, e foram a primeira igreja anglicana de todo o mundo a ordenar uma bispa, já em 1990 (momento que recolhe a foto junto a estas linhas). Depois de 23 anos de bispas e 36 de sacerdotisas, fica demonstrado que não serve para frear a perca de fiéis.

O catolicismo do país, ainda que não seja uma grande potência evangelizadora, conseguiu manter as suas cifras (ainda que seja acomodando bem os imigrantes) e chega assim a ser a primeira igreja do país.


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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Uma nova Constituição laicista no Vietname: a consulta à sociedade foi uma pantomima

Actualizado 16 de Dezembro de 2013

Fides / ReL 

A nova Constituição apresentou-se
como aberta às ideias da sociedade
mas na realidade está desenhada
pelo Partido desde o laicismo
comunista
A nova Constituição de Vietname, que entrará em vigor em 1 de Janeiro de 2014, é uma decepção para os líderes religiosos, intelectuais, activistas de direitos humanos, que esperavam que pudesse ser o prelúdio de um caminho sério de reformas políticas e sociais.

Como se indica numa nota enviada à Agência Fides pela Ong “Christian Solidarity Worldwide” (CSW), a nova Carta (aprovada em 28 de Novembro com a maioria de 98% da Assembleia Nacional) preserva o predomínio do Partido Comunista e todavia mantém a liberdade religiosa debaixo de um estrito controlo estatal.

Ainda que contenha cláusulas que protegem o direito de seguir ou não seguir uma religião, inclui a proibição de “uso impróprio da religião para violar a lei”.

Os funcionários públicos que se opõe ao crescimento da religião “poderão utilizar facilmente estas disposições para reprimir os líderes e grupos religiosos”, assinala CSW.

Nos primeiros meses de 2013, o governo vietnamita convidou a população a comentar o rascunho da nova Constituição. Em resposta, um grupo de 72 destacados intelectuais e ex-funcionários do governo elaborou uma proposta alternativa de Constituição, pedindo eleições democráticas, liberdade de imprensa, direito à propriedade privada.

Em Março de 2013, os bispos católicos vietnamitas também ofereceram os seus comentários e sugestões sobre o projecto, promulgado pelo governo. Estas propostas incluíam as garantias constitucionais dos direitos humanos, a liberdade de religião, liberdade de expressão, direito a participar no sistema de governo.

Também se pediam mais poderes para a Assembleia Nacional, e a plena independência e distinção entre os poderes legislativo, executivo e judicial. A nova Carta aprovada ignora todas estas recomendações: a Assembleia Nacional aprovou uma Constituição que preserva o domínio absoluto do Partido Comunista nas esferas política e económica.

Mervyn Thomas, director executivo de CSW, disse: “Partilhamos a frustração e a decepção expressada pelos líderes religiosos. Reiteramos a nossa petição de que as disposições constitucionais no Vietname estejam em linha com os standards internacionais em matéria de direitos humanos, incluídas as normas sobre a liberdade de religião ou de credo”.

O Vietname tem 92 milhões de habitantes, dos quais 7% são católicos e 1% cristãos protestantes. O resto tende a ser budista ou a declarar-se ateu, ou ambas as coisas à vez.

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Agnóstico e deprimido, uma Sexta-feira Santa dos dogmas católicos (confissão e Encarnação) resgataram-no

Michael foi guiado por Newman, Chesterton e o Aquinatense 

A confissão: via-a para recuperar a graça de Deus,
e uma experiência também humanamente libertadora.
Actualizado 15 de Dezembro de 2013

C.L. / ReL

Michael J. Lichens confessa que todo o convertido se vê forçado com frequência a responder a uma pergunta: "Porque te fizeste católico?". E a ele cada ano que passa lhe dá mais preguiça fazê-lo, porque "as razões que cada um pode ter para a conversão são numerosas e podem ir desde algo tão simples como estar casado com um católico a algo tão radical como uma mudança total do coração depois de um acontecimento determinado". Ou, como ele gostaria de responder quando se cansa de responder: "Bem, e porque não posso eu ser um deles?".

Lichens tem também uma história que contar, por suposto, e resume-a num artigo recente publicado em Catholic Exchange, o periódico que dirige além de editar o blog St Austin Review, onde escreve habitualmente, entre outros, Joseph Pearce.

Chesterton, Newman e duas razões
Como a maior parte dos convertidos anglo-saxões, a sua mudança intelectual teve muito que ver com a leitura de dois potentes autores: o Beato John Henry Newman e o grande Gilbert Keith Chesterton, onde poderiam encontrar-se, disse, os argumentos que o levaram à Igreja melhor que se os escreve ele mesmo.

Mas resume em duas as razões pelas quais se fez católico. Uma, como Chesterton: "Para libertar-me dos meus pecados". A outra, "uma verdade muito mais complicada: a Encarnação".

Agnosticismo e depressão
Lichens explica que foi educado como evangélico no seio de uma família muito comprometida numa "megaigreja", mas que, chegado um momento da sua vida, se via a si mesmo como agnóstico. Não tinha más recordações do templo a que ia na sua infância e adolescência: "A pregação era boa, cheia de citações bíblicas que hoje já não se usam. Diria que, em linhas gerais, foi uma experiência positiva".

Com um ´mas´, que serve a Michael para introduzir uma característica sua: "Eu padecia, e padeço ainda, de um transtorno depressivo profundo, isto é, uma depressão clínica, o que me produzia um humor terrível e um contínuo empastilhamento. E (di-lo-ei sem rodeios) a maior parte das comunidades religiosas nos Estados Unidos não sabem como lidar com isso. Não é culpa sua e o faziam com a melhor das suas intenções, mas a maior parte dos pastores e líderes espirituais diziam-me que rezasse contra isso ou, simplesmente, que me propusesse ser feliz. Durante a maior parte da minha vida, considerei-o um fracasso pessoal que me impedia de ser feliz e me conduziu ao ressentimento e a separar-me da fé".

Um Sexta-feira Santa, adorando a Cruz
A semente dessa fé, sem dúvida, conservava-a apesar do seu agnosticismo, alimentada pela leitura do citado Chesterton e de São Tomás de Aquino. Assim que houve um momento no qual decidiu tentá-lo de novo. E teve a ideia (feliz ideia, pelo que sucederia então) de ir à missa à paróquia de São Tomás de Aquino em Boulder (Colorado, Estados Unidos) ("a primeira a que ia desde o funeral da minha avó") e logo aos ofícios de uma Sexta-feira Santa.

"Sentia-me deslocado, e incomodado de que todo o mundo salvo eu soubesse quando sentar-se, estar de pé ou ajoelhar-se. Mas algo me era familiar, como voltar ao lar da infância. E foi também a primeira vez que conheci os sentimentos de culpa e de vergonha, mas não na forma caricaturesca com a qual se os retrata hoje em dia", explica: "E foi naquele momento no qual a Cruz foi adorada quando descobri o que eu tinha sido, quando descobri que Deus sabia o que eu tinha sido, quando descobri que eu sabia que Ele o sabia. Senti-me como alguém que ofendeu um bom amigo e quer corrigir".

No confessionário
E aqui entrou em jogo a confissão. Enquanto deu os seus primeiros passos como catecúmeno (pois depois desse momento da Sexta-feira Santa decidiu iniciar a sua formação na paróquia para converter-se em membro da Igreja), soube que tinha que confessar-se. Era um mais dos "obstáculos" que tinha que superar, "desde a ideia da Eucaristia a minha relação sentimental com uma ateia, passando pelo meu excesso de vaidade".

Foi aí onde interveio um padre dominicano, Frei Reginald Martin, um homem alegre e jovial ante quem devia confessar os seus pecados. Lichens reconhece a sua "ansiedade" ante essa primeira comparência perante o sacramento da Penitência e a reconciliação, quem lhe pediu que anotasse todos os que tivesse cometido desde que foi baptizado, aos 11 anos, com o objectivo de facilitar o exame de consciência.

A Michael custou-lhe ter que confeccionar a lista, mas hoje reconhece que foi um acerto: "Quando o padre disse as palavras da absolvição e traçou perante mim o sinal da cruz, dei-lhe a mão, mostrei-lhe a minha gratidão e voltei ao meu carro. O sentimento de alívio era impressionante, sentia-me quase eufórico. Ainda que não sejas católico, imagina o que é desculpar-te com uma pessoa e saber não só que te perdoou, mas sim que te dá a segurança de que tudo está organizado... E assim poderás compreender esse sentimento de alívio".

...E habitou entre nós
Mas além desse feliz contacto com o sacramento da confissão, Lichens recorda o impacto que lhe produziu a ideia da Encarnação ("do latim incarno", recorda, "feito carne"): "Esta ideia era nova para mim, ainda que tenha ouvido falar dela. A ideia de que Deus tinha nascido de uma virgem, se tinha feito homem, e continuava sendo plenamente Deus ao tempo que plenamente humano não era precisamente atractiva para mim, era inclusive escandalosa quando parava a pensar nela".

Mas (quem se não?) Chesterton veio em sua ajuda num comentário seu a este paradoxo sobre o Menino Deus: "Toda a nossa fé, e a literatura em torno da nossa fé, baseia-se no paradoxo, quase diríamos na brincadeira, de que as mãos de quem tinha criado o sol e as estrelas fossem tão pequenas que não chegavam a acariciar as bestas que davam calor à sua manjedoura".

De repente, esta ideia "escandalosa" para Michael converteu-se no seu porto seguro: "Sejam quais sejam os períodos obscuros da minha mente, seja qual seja o combate ao qual me enfrente, este sempre me devolveu aos fundamentos. Isto foi o que me fez querer ser católico e o que me mantém na Igreja: saber que Deus se fez homem e habitou entre nós, que o seu amor é tão poderoso que assumiu a nossa natureza para redimir-nos".

"A minha depressão está longe de estar curada", admite Lichens, mas agora possui algo do que antes da sua conversão carecia: "A Igreja oferece-me a possibilidade de ser santo apesar da minha propensão à autodestruição e à dúvida".

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Conversas dos Avós | Antigamente nas descamisadas...



Palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa

Angelus: Papa Francisco reflecte sobre a família e o drama dos migrantes e refugiados que são vítimas de rejeição


Roma, 29 de Dezembro de 2013 (Zenit.org)


Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas antes de rezar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro neste domingo, 29 de Dezembro.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeiro domingo depois do Natal, a Liturgia nos convida a celebrar a festa da Sagrada Família de Nazaré. De fato, todo presépio mostra Jesus junto com Nossa Senhora e São José, na gruta de Belém. Deus quis nascer em uma família humana, quis ter uma mãe e um pai, como nós.

E hoje o Evangelho nos apresenta a Sagrada Família no caminho doloroso do exílio, em busca de refúgio no Egipto. José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática dos refugiados, marcada por medo, incertezas, necessidades (Mt 2, 13-15. 19-23). Infelizmente, nos nossos dias, milhões de famílias podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as próprias famílias.

Em terras distantes, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os refugiados e os imigrantes encontram acolhimento verdadeiro, respeito, apreço pelos valores de que são portadores. As suas legítimas expectativas se confrontam com situações complexas e dificuldades que parecem às vezes insuperáveis. Por isso, enquanto fixamos o olhar na Sagrada Família de Nazaré no momento em que foi forçada a fazer-se refugiada, pensemos no drama de quantos migrantes e refugiados que são vítimas de rejeição e da escravidão, que são vítimas do tráfico de pessoas e do trabalho escravo. Mas pensemos também nos outros “exilados”: eu os chamarei de “exilados escondidos”, aqueles exilados que podem existir dentro das próprias famílias: os idosos, por exemplo, que às vezes são tratados como presenças incómodas. Muitas vezes penso que um sinal para saber como vai uma família é ver como são tratados nessa as crianças e os idosos.

Jesus quis pertencer a uma família que experimentou estas dificuldades para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga ao Egipto por causa das ameaças de Herodes nos mostra que Deus está lá onde o homem está em perigo, lá onde o homem sofre, lá onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas Deus está também lá onde o homem sonha, espera voltar à pátria na liberdade, projecta e escolhe pela vida e dignidade sua e dos seus familiares.

Este nosso olhar hoje para a Sagrada Família se deixa atrair também pela simplicidade da vida que essa conduz em Nazaré. É um exemplo que faz tanto bem às nossas famílias, ajuda-as a se tornarem sempre mais comunidades de amor e de reconciliação, na qual se experimenta a ternura, a ajuda mútua, o perdão recíproco. Recordemos as três palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa. Quando em uma família não se é invasor e se pede “com licença”, quando em uma família não se é egoísta e se aprende a dizer “obrigado” e quando em uma família um percebe que fez algo ruim e sabe pedir “desculpa”, naquela família há paz e alegria. Recordemos estas três palavras. Mas podemos repeti-las todos juntos: com licença, obrigado, desculpa. (Todos: com licença, obrigado, desculpa!). Gostaria também de encorajar as famílias a tomar consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade. O anúncio do Evangelho, de fato, passa antes de tudo pelas famílias, para depois alcançar os diversos âmbitos da vida quotidiana.

Invoquemos com fervor Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, e São José, seu esposo. Peçamos a eles para iluminar, confortar, guiar cada família do mundo, para que possa cumprir com dignidade e serenidade a missão que Deus lhes confiou.

(Após o Angelus)

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência
do carácter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projecto de Deus.
Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica.


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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Actualização do Clero



Encontro Nacional de agentes sócio pastorais das migrações



Angelus com Papa Francisco nas Oitavas de Natal

Pontífice pede oração pelos cristãos que sofrem discriminações por causa do seu testemunho dado de Cristo


Roma, 26 de Dezembro de 2013


Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas nesta quinta-feira, 26 de dezembro, antes de rezar a oração do Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs,

Vocês não têm medo da chuva, são bravos!

A liturgia prolonga a Solenidade do Natal por oito dias: um tempo de alegria para todo o povo de Deus! E neste segundo dia da oitava, na alegria do Natal se insere a festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja. O livro dos Actos dos Apóstolos o apresenta como “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (6, 5), escolhido com outros seis para o serviço às viúvas e aos pobres na primeira comunidade de Jerusalém. E nos conta o seu martírio: quando, depois de um discurso inflamado que suscitou a ira dos membros do Sinédrio, foi arrastado para fora da cidade e apedrejado. Estêvão morre como Jesus, pedindo o perdão pelos seus assassinos (7, 55-60).

No clima alegre do Natal, esta comemoração poderia parecer fora de contexto. O Natal, na verdade, é a festa da vida e nos infunde sentimentos de serenidade e de paz; por que perturbar seu encanto com a recordação de uma violência tão atroz? Na realidade, na óptica da fé, a festa de Santo Estêvão está em plena sintonia com o significado profundo do Natal. No martírio, de fato, a violência é vencida pelo amor, a morte pela vida. A Igreja vê no sacrifício dos mártires seu “nascimento ao céu”. Celebramos, então, hoje o “natal” de Estêvão, que em profundidade nasce do Natal de Cristo. Jesus transforma a morte de quantos o amam em aurora de vida nova!

No martírio de Estêvão se reproduz o mesmo confronto entre o bem e o mal, entre o ódio e o perdão, entre a brandura e a violência, que teve o seu ponto alto na Cruz de Cristo. A memória do primeiro mártir vem assim, imediatamente, dissolver uma falsa imagem do Natal: a imagem “mágica” e “adocicada”, que no Evangelho não existe! A liturgia nos leva ao sentido autêntico da Encarnação, ligando Belém ao Calvário e recordando-nos que a salvação divina implica a luta ao pecado, passa pela porta estreita da Cruz. Este é o caminho que Jesus indicou claramente aos seus discípulos, como atesta o Evangelho de hoje: “Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10, 22).

Por isso hoje rezemos de modo particular pelos cristãos que sofrem discriminações por causa do seu testemunho dado de Cristo e do Evangelho. Sejamos próximos a estes irmãos e irmãs que, como santo Estêvão, são acusados injustamente e feitos objecto de violências de vários tipos. Estou certo de que, infelizmente, são mais numerosos hoje que nos primeiros tempos da Igreja. Há tantos! Isto acontece especialmente lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou não é plenamente realizada. Acontece, porém, também em países e ambientes que, no papel, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde de fato os crentes e, especialmente os cristãos, encontram limitações e discriminações. Eu gostaria de pedir para vocês rezarem por estes irmãos e irmãs um instante em silêncio [...] E os confiemos à Nossa Senhora (Ave Maria…).

Para o cristão, isso não causa surpresa, porque Jesus já o havia pré-anunciado como ocasião propícia para dar testemunho. Todavia, na esfera civil, a injustiça deve ser denunciada e eliminada.

Maria Rainha dos Mártires nos ajude a viver o Natal com aquele ardor de fé e de amor que brilha em Santo Estêvão e em todos os mártires da Igreja.


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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A Polícia detém o arcebispo de Deli e carrega com paus e jactos de água contra monjas e padres

300 líderes cristãos detidos: defendiam os dalit 

À esquerda, de castanho com paus, a polícia
- à direita, de branco com cruzes, padres católicos
Actualizado 12 de Dezembro de 2013

P.J.G./ReL

Quando foi a última vez que um arcebispo católico, com outros bispos católicos e clérigos protestantes e até 300 líderes cristãos foram encarcerados e golpeados com paus e canhões de água por parte da Polícia de um país democrático?

Isto é o que sucedeu esta quarta-feira 11 de Dezembro em Deli, Índia (a maior democracia do mundo), quando a Polícia arremeteu com paus (o que ali se chama "lathi-charge") contra uma manifestação pacífica a favor dos direitos dos dalit e outras minorias étnicas e religiosas, convocada com toda a solenidade por uma ampla aliança ecuménica, com a Conferência Episcopal da Índia incluída, e com a presença na frente do arcebispo de Deli, Anil Couto, outros bispos católicos indianos, bispos protestantes, líderes evangélicos, numerosos padres, monjas e pastores, e também clero muçulmano...

A Polícia também usou potentes canhões de água suja a pressão contra os manifestantes.

Começaram a circular já fotos de agentes com paus que tem religiosas aos seus pés e sacerdotes de branco com cruzes debaixo dos jactos de água.

A Polícia meteu em furgões e autocarros os líderes da manifestação e os declarou detidos, prendendo o arcebispo de Deli, Anil Couto [junto a estas linhas], os bispos protestantes Alwan Masih (anglicano) e Roger Gaikwad, o líder evangélico Vijayesh Lal e o católico John Dayal, Secretário-Geral do “All India Christian Council”, entre outros líderes cristãos... Há fontes que acrescentam que foram detidos outros bispos, ainda que sem especificar mais.

A violência da carga e as prisões foram confirmadas e condenadas pelo porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, o padre Joseph Chinnayyan.

Segundo as agências católicas como Fides e AsiaNews, os manifestantes chegaram à zona de Jantar Mantar e dirigiam-se pacificamente até o Parlamento da Índia a pedir para ser recebidos pelos parlamentares, reunidos em assembleia, quando a Polícia carregou contra eles com violência.

A marcha pedia a derrogação do Decreto Presidencial de 1950 que legaliza a discriminação contra cristãos e muçulmanos de origem dalit.

Na Índia há uns 24 milhões de dalit, dos quais uns 17 milhões são cristãos de distintas igrejas.

As minorias religiosas na Índia consideram esta medida “totalmente inconstitucional”, “mas os governos que se sucederam fizeram ouvidos surdos”, denunciou em várias ocasiões o arcebispo Couto.

O All India Christian Council (que reúne católicos e protestantes em temas comuns) declara numa nota estar “comovido e consternado pela prisão provocativa dos bispos e de outros líderes”. O Conselho recorda outro precedente de há anos: em 2 de Novembro de 1997 alguns bispos foram presos por defender os dalits, incluindo o então arcebispo de Deli, o já falecido Alan de Lastic.

Pela sua parte, a Polícia declarou (contra a evidência fotográfica) que não usou violência e que actuou porque os manifestantes "tinham bloqueado partes de Ashoka Road levando a uma situação de tráfego caótico". Os detidos foram levados à comissaria de Parliament Street e libertados ao fim de umas horas.

Ao que parece, segundo este blog, a carga policial com paus teve lugar num primeiro momento, dispersando os manifestantes, mas de seguida estes voltaram, com sacerdotes vestidos de branco à frente, que se ajoelharam no meio da rua com cruzes nas suas mãos: foi então quando se usaram os canhões de água suja sob pressão, mas eles mantiveram-se firmes debaixo da água.

Noutras cenas, religiosas católicas (com experiência legal na assistência aos dalits e minorias perseguidas) encararam os polícias repreendendo-os pela violência empregada.

O activista e porta-voz católico dalit Franklin Caesar declarou que no final "o Primeiro-Ministro aceitou receber-nos amanhã [sexta-feira 13 de Dezembro], assim que deixámos a comissaria"

"A Igreja Católica na Índia está profundamente triste pela detenção dos nossos representantes do clero, que só pediam justiça e a igualdade para os nossos dalit cristãos e muçulmanos", denunciou o cardeal Oswald Gracias, de Mumbai. "O uso da violência contra os sacerdotes e religiosos é uma vergonha para a Índia. Nunca poderá desenvolver-se uma sociedade quando parte dela é objecto de discriminação por causa da sua religião.


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Que posição os fiéis devem adoptar depois da comunhão?

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e director espiritual


Roma, 25 de Outubro de 2013


Em sua coluna semanal sobre liturgia, o padre McNamara responde hoje a uma pergunta feita por um missionário italiano em Ruanda.

Eu gostaria de perguntar quais são as posições a manter durante as várias partes da celebração eucarística: de pé, sentados, ajoelhados... Em particular, depois de comungar, alguns esperam para sentar-se após o padre colocar o Santíssimo Sacramento no tabernáculo; outros voltam para o seu lugar e sentam-se imediatamente para adorar o Senhor que acabaram de receber. Obrigado. - E.B., Kigali

Os gestos e posturas que os fiéis devem assumir são tratados na Instrução Geral do Missal Romano, nº 43:

Os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração coleta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o convite “Orai, irmãos”, antes da oração sobre as oblatas, até ao fim da Missa, excepto nos momentos adiante indicados.

Estão sentados: durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e durante a preparação dos dons ao ofertório; e, se for oportuno, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão.

Estão de joelhos durante a consagração, excepto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote faz a genuflexão depois da consagração.

Compete, todavia, às Conferências Episcopais, segundo as normas do direito, adaptar à mentalidade e tradições razoáveis dos povos os gestos e atitudes indicados no Ordinário da Missa. Atenda-se, porém, a que estejam de acordo com o sentido e o carácter de cada uma das partes da celebração. Onde for costume que o povo permaneça de joelhos desde o fim da aclamação do Sanctus até ao fim da Oração eucarística, é bom que este se mantenha.

Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes do corpo na celebração, os fiéis devem obedecer às indicações que, no decurso da mesma, lhes forem dadas pelo diácono, por um ministro leigo ou pelo sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.

No tocante à pergunta desta semana, a frase-chave do parágrafo tem sido fonte de controvérsia, especialmente nos EUA. A tradução inglesa do texto diz que os fiéis podem ficar "sentados ou ajoelhados durante o silêncio sagrado depois da comunhão".

Alguns liturgistas e até bispos interpretaram estas palavras como uma proibição de se ajoelhar ou de sentar-se antes de se receber a comunhão. A polémica levou o cardeal Francis George, como presidente da Comissão Litúrgica da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, a pedir uma interpretação autêntica da Santa Sé, em 26 de Maio de 2003.

O então prefeito da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, cardeal Francis Arinze, respondeu à pergunta em 5 de Junho daquele mesmo ano (Prot 855/03/L):

Em muitos lugares, os fiéis estão acostumados a ficar de joelhos em oração pessoal ou sentados depois de regressar aos seus lugares após receberem, individualmente, a Sagrada Eucaristia durante a missa. As normas da terceira edição típica do Missal Romano proíbem esta prática?

A lógica é que o n.º 43 da Instrução Geral do Missal Romano pretende estabelecer, dentro de amplos limites, uma certa uniformidade de posições a serem assumidas pela assembleia durante as várias partes da celebração da Santa Missa, mas, ao mesmo tempo, não estabelecê-las tão rigidamente a ponto de aqueles que desejam permanecer ajoelhados ou sentados não poderem fazê-lo.

Depois de receber esta resposta, o boletim da Comissão comentou: "Na aplicação da Instrução Geral do Missal Romano, as posições não devem ser reguladas de modo rígido, a ponto se de proibirem os indivíduos que comungam de se ajoelhar ou sentar-se após receber a Sagrada Comunhão" (p. 26).

O que é válido para Washington é aplicável também nos outros lugares: os fiéis podem se ajoelhar ou sentar-se depois de terem comungado.


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O Verbo se fez carne

Meditação diária da Palavra de Deus/Natal - Missa do Dia


Roma, 25 de Dezembro de 2013


Leitura
A missa do dia de Natal celebra o esplendor da manifestação do Verbo feito carne, o cumprimento admirável da promessa de salvação que brilha para todos os homens. O canto ao Evangelho anuncia solenemente a alegria do Natal: "Um dia santo raiou sobre todos nós: vinde todos e adorai o Senhor; uma grande luz desceu hoje sobre a terra". A luz que desceu sobre a terra ilumina o mundo, e o Verbo, por quem todas as coisas foram criadas, renova o universo e o recria com o poder renovador da sua graça.

O prólogo do Evangelho de João é um dos ápices da revelação. Nesse texto maravilhoso, o evangelista resume os principais temas do seu Evangelho, oferecendo uma síntese única e original da história da salvação. Ela nos é mostrada à luz da Encarnação descrita com uma imagem poderosa e ousada, colocada no centro do prólogo: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós". A abordagem dos dois termos, "Verbo" e "carne", já nos surpreende, mas a afirmação de que um se tornou o outro nos atinge profundamente. A expressão descreve uma espécie de "curto-circuito", em que Deus-Verbo se faz carne-criatura. Além disso, o termo "carne" se refere à fraqueza da natureza humana e não somente à humanidade; é a afirmação do mistério inaudito que se realiza na encarnação. Deus escolhe o caminho da pobreza, quer abraçar o homem no seu estado de fragilidade para salvá-lo e trazê-lo de volta a si. No seu amor infinito, Ele recria o universo fazendo uma nova criação, remodelando o novo homem em Cristo Jesus e recriando a imagem do Filho em nós, que o pecado tinha deformado. Tudo foi criado por meio do Verbo e tudo é recriado por meio dele. O testemunho de João Baptista proclama o vínculo que une a Encarnação com as profecias, é uma continuidade do pacto com Abraão, que, finalmente, encontra o seu cumprimento em Cristo. A Sabedoria Eterna, a Palavra de Deus, o Filho unigénito do Pai, finalmente revela o rosto de Deus falando na língua dos homens; através da sua própria carne frágil, Deus revela a verdade e o amor. Na Encarnação, o Verbo feito homem se torna a mediação, o instrumento de salvação e a ponte que nos liga a Deus.

Oração
Ó Verbo feito carne, ó Filho unigénito de Deus, eu te peço, salva-me. Tu, que desceste até mim para me salvar do pecado e da morte, tu que tomaste sobre ti a fraqueza e a fragilidade de cada homem para restaurar o que tinha sido arruinado pelo pecado, dá-me a salvação, transforma a minha miséria em redenção.

Acção
Escolho com Cristo o caminho da humildade e do serviço: tentarei, na vida cotidiana, a exemplo do Verbo encarnado, tornar meus, por amor, o sofrimento e as necessidades dos outros.

Meditação do dia proposta por mons. Marco Frisina, presidente da Comissão Diocesana de Roma para a Arte Sacra e a Herança Cultural. Publicado em "Messa Meditazione" e reproduzido por cortesia das Edições ART.


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"Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz"

Homilia do Papa Francisco na Missa do Galo


Cidade do Vaticano, 25 de Dezembro de 2013


Apresentamos a Homilia da Primeira Missa do Galo celebrada pelo Papa Francisco nesta terça-feira, 24 de dezembro de 2013.

1. «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1).

Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum facto emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz reflectir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver.

Andar. Este verbo faz-nos pensar no curso da história, naquele longo caminho que é a história da salvação, com início em Abraão, nosso pai na fé, que um dia o Senhor chamou convidando-o a partir, a sair do seu país para a terra que Ele lhe havia de indicar. Desde então, a nossa identidade de crentes é a de pessoas peregrinas para a terra prometida. Esta história é sempre acompanhada pelo Senhor! Ele é sempre fiel ao seu pacto e às suas promessas. «Deus é luz, e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas» (1 Jo 1, 5). Diversamente, do lado do povo, alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e de povo errante.

E, na nossa historia pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. «Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos» (1 Jo 2, 11).

2. Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11).

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós.

3. Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade:

Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil.

Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). E vo-lo repito também eu: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a nossa paz. Amen.


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"Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos"

Mensagem Urbi et Orbi do Papa Francisco


Cidade do Vaticano, 25 de Dezembro de 2013


«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens do seu agrado
» (Lc 2, 14).

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal!

Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz.

Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.

Glória a Deus.

A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.

Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.

Paz aos homens.

A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.

Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!

Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz.

Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.

Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.

Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.

Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.

Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão.

Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Votos de um Natal feliz no termo da Mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre

A vós, queridos irmãos e irmãs, vindos de todo o mundo e reunidos nesta Praça, e a quantos estão em ligação connosco nos diversos países através dos meios de comunicação, dirijo os meus votos de um Natal Feliz!

Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal para todos!


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